Corpo de jovem que morreu em assalto na Frei Caneca é sepultado no interior de SP

Estudante de Direito foi baleado enquanto chamava um carro por aplicativo de celular

Ana Paula Niederauer e Felipe Resk, O Estado de S.Paulo

10 Julho 2018 | 10h25
Atualizado 13 Julho 2018 | 18h32

O estudante de Direito Maciel Teodoro Júnior, de 28 anos, baleado durante uma tentativa de roubo de telefone celular na noite de domingo, 8, na região central da capital, foi sepultado na manhã desta terça-feira, 10, no Cemitério Municipal de Cândido Mota, interior de São Paulo.

Às 20h40 do domingo, Maciel entrou com o namorado na Rua Barbosa Rodrigues, na Consolação, centro paulistano, para esperar um Uber. Parado na calçada, o casal foi surpreendido por dois assaltantes armados: “Passa o celular!”. No susto, Teodoro fez um movimento brusco, foi baleado e se tornou a segunda vítima de latrocínio (roubo seguido de morte) na região nos últimos dez anos.

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“Se tivesse alguma conversa com os bandidos, ele teria entregue tudo”, afirmou o empresário Rafael Teodoro, de 25, único irmão da vítima. “A gente é de uma família tradicional do interior, não está acostumado com esse tipo de violência. O Maciel era uma pessoa muito calma.”

Natural de Assis, ele estava no 4.º ano de Direito da FEMA (Fundação Educacional do Município de Assis). Trabalhava no Departamento Estadual de Trânsito (Detran) para pagar os estudos, segundo familiares. 

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“Sempre foi uma pessoa calma e muito querida”, contou o irmão. “Ele tinha o sonho de se formar, faltava pouco. A gente estava fazendo de tudo, mas foi um sonho interrompido.” 

O corpo foi sepultado nesta terça-feira, no Cemitério Municipal de Cândido Malta, no interior. “O velório era para ser jogo rápido, porque os pais queriam enterrar logo, mas foi se estendendo de tanta gente que foi se despedir”, disse Rafael Teodoro.

Crime

O estudante havia terminado de jantar no shopping com o namorado, um administrador de 41 anos, e saiu a pé pela Rua Frei Caneca. Com o celular na mão, chamou um carro por aplicativo e foi esperar em uma rua lateral. 

Imagens de câmeras de segurança, recolhidas pelo 4.º Distrito Policial (Consolação), indicam que os bandidos desceram de uma moto e, um de cada lado, abordaram o casal. Segundo o namorado, Teodoro teria se assustado e puxado o celular para trás. O assaltante, então, atirou uma vez e fugiu. Baleada, a vítima se levantou e tentou correr. Caiu na esquina seguinte e foi socorrido no Hospital das Clínicas, onde morreu. “Meus pais estão arrasados, inconformados com a violência.”

Moradores e comerciantes se dizem assustados. “A rua fica muito escura à noite”, disse um empresário que, em seis meses na Consolação, já sofreu uma tentativa de furto. “Aqui, todo mundo anda olhando para trás”, comentou uma moradora de 57 anos, há 20 no bairro. 

A Secretaria de Segurança Pública disse que há patrulhamento dinâmico da Polícia Militar na área. Desde 2009, o 4.º DP só havia registrado um latrocínio: em 2014. Embora os roubos tenham caído 9% este ano, a delegacia ainda tem oito assaltos por dia. Rafael demonstra descrença na Justiça. “Vai ser mais uma estatística. Hoje tem ‘ibope’ (audiência), amanhã todo mundo esquece e parte para o próximo assassinato.”

 

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