WERTHER SANTANA/ESTADÃO
WERTHER SANTANA/ESTADÃO

Buscas por desaparecidos na Baixada Santista entram no terceiro dia; 28 pessoas morreram nas chuvas

De acordo com os bombeiros, 42 pessoas ainda não foram localizadas; Ministério do Desenvolvimento reconheceu estado de calamidade pública no Guarujá, cidade mais afetada

Lucas Melo, Paloma Cotes e Priscila Mengue, O Estado de S.Paulo

05 de março de 2020 | 07h14
Atualizado 06 de março de 2020 | 00h43

GUARUJÁ - Passou de 24 para 42 o número de pessoas desaparecidas após o temporal que causou deslizamentos na Baixada Santista na terça-feira. Nesta quinta, o governo do Estado contabilizava 28 mortos na tragédia, que atingiu os municípios de Guarujá, Santos e São Vicente. As buscas pelos desaparecidos continuam. 

A cidade mais atingida foi o Guarujá, que tem 23 mortos e 36 desaparecidos. Em Santos, foram três mortes confirmadas e há cinco desaparecidos. Em São Vicente, foram registradas duas mortes e uma pessoa ainda não foi localizada. Entre as vítimas, há pelo menos quatro crianças e dois idosos. 

A chuva atingiu a região na madrugada de terça-feira e até mesmo os moradores das áreas afetadas ajudaram no resgate de famílias vizinhas soterradas. Nesta quinta-feira, o Corpo de Bombeiros anunciou aumento do efetivo na região, com o deslocamento de bombeiros de todo o Estado para a Baixada Santista. Ao todo, 172 homens e mulheres, além de três cães farejadores, trabalham nas buscas por desaparecidos. 

Também cresceu o número de pessoas sem moradia. Na soma, Guarujá, Santos, São Vicente e Peruíbe têm 483 desabrigados. Segundo a Defesa Civil estadual, foram oferecidas 21,2 toneladas de materiais de ajuda humanitária, que incluem colchões, roupas, cestas básicas e kits de higiene. Os desabrigados estão alojados temporariamente em escolas da região. 

É o caso do atendente de quiosque Wellington Sant’Ana, de 41 anos. Morador do Morro do Macaco Molhado, no Guarujá, uma das áreas mais atingidas pela chuva, ele conta que saiu de casa ao ouvir o chamado da vizinha Tathiana Gomes, de 25 anos, que acabou morrendo soterrada ao lado do filho Arthur, de apenas 10 meses. 

Ele ajudou a retirar o corpo do bebê dos escombros e, ao voltar para casa, não a encontrou mais. “Voltei e minha casa estava coberta de barro, desapareceu.” Abrigado na Escola Dirce Valério Garcia, Sant’Ana está preocupado com a falta de moradia definitiva para a família, que inclui crianças de 9 meses e 3 e 4 anos. “Perdemos tudo, estamos esperando a ajuda vir de algum lugar. Como vai ficar agora com as aulas?”, indaga. “Não temos lugar para ficar, não temos nada nem documento.”

Estado de calamidade pública

Nesta quinta-feira, o Ministério do Desenvolvimento Regional reconheceu estado de calamidade pública no Guarujá e situação de emergência em Santos e em São Vicente. Com isso, as cidades poderão ter acesso a recursos federais para ações de socorro, assistência e restabelecimento de serviços essenciais à população. 

Apenas no verão deste ano, o total de mortes por chuvas no Sudeste - São Paulo, Rio, Minas e Espírito Santo - já chegou a pelo menos 150. No ano passado, foram 82 vítimas.

Cidades atingidas terão R$ 50 milhões

O governador de São Paulo, João Doria (PSDB), anunciou nesta quinta-feira, no Guarujá, o repasse de R$ 50 milhões para o atendimento das cidades da Baixada Santista atingidas pelas chuvas. Segundo o governador, a partir desta sexta-feira, 6, os prefeitos, que serão os responsáveis pela administração do recurso, já podem encaminhar pedidos de repasse ao governo estadual - a divisão do valor será feita conforme a necessidade de cada município. 

Doria também afirmou que o governo deve repassar às famílias o valor de R$ 1 mil para reparação imediata dos danos sofridos. Além disso, cada família desabrigada receberá o aluguel social no valor de R$ 500 (R$ 300 pagos pelo governo estadual e R$ 200 pelo governo municipal) durante 12 meses. 

'O presidente não me telefonou'

Indagado se havia recebido algum contato do presidente da República, Jair Bolsonaro, Doria negou. "Infelizmente, eu tenho de falar a verdade: não. O presidente Jair Bolsonaro não me telefonou, não me mandou (mensagem no aplicativo) WhatsApp, o que seria normal em uma situação como essa. Eu lamento", disse. 





 

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