Marcelo Chello/Estadão - 04/05/22
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SP tem alta de roubos e furtos no mês de maio mesmo com operação especial da polícia

Registros de roubo subiram 7,24% na comparação com mesmo período do ano passado. No caso dos furtos, salto foi de 32,89%

Ítalo Lo Re, O Estado de S.Paulo

24 de junho de 2022 | 17h25
Atualizado 24 de junho de 2022 | 21h03

SÃO PAULO – Os registros de roubo subiram 7,24% no mês de maio no Estado de São Paulo na comparação com o mesmo período do ano passado. No caso dos furtos, o salto foi ainda maior: de 32,89%. Isso é o que apontam dados divulgados nesta sexta-feira, 24, pela Secretaria de Segurança Pública (SSP)

Com o avanço, os índices estão agora em patamares pouco abaixo ou, como no caso dos furtos, até mesmo superiores aos observados em maio de 2019, último ano antes da pandemia. A alta foi observada mesmo após o início da Operação Sufoco, anunciada no início do último mês pelo governador Rodrigo Garcia (PSDB) para coibir os chamados crimes de oportunidade. O governo quase dobrou o efetivo policial nas ruas, principalmente na Capital e regiões metropolitanas da Grande São Paulo, interior e litoral. O número passou de 5 mil para 9,7 mil policiais.

Os dados divulgados pela SSP indicam que em maio deste ano foram notificados 19,6 mil roubos em todo o Estado, valor que é 7,24% maior ao número registrado no mesmo mês do último ano (18,3 mil). Ao mesmo tempo, o índice atual é 8,16% menor ao de maio de 2019, período em que foram contabilizados 21,4 mil crimes desse tipo em São Paulo.

No caso dos furtos, os registros cresceram mesmo quando comparados ao ano de 2019. Em maio deste ano, foram 48,7 mil ocorrências, ante 36,7 mil no mesmo mês de 2021 – ou seja, tomando o ano passado como base, a alta é de 32,89%. Quando a comparação é feita com 2019, em que foram registrados 46,6 mil furtos em maio, houve crescimento de 4,5%.

Em nota, a Secretaria de Segurança Pública reforçou que, “nos últimos dois anos, São Paulo viveu um período de grande isolamento social, causado pela pandemia do coronavírus e que impactou diretamente na dinâmica criminal”. Em meio a isso, a pasta fez um comparativo usando como base o acumulado de janeiro a maio e defendeu que houve redução tanto nos registros de furtos quanto de roubos.

“Os roubos em geral diminuíram de 21.390 para 19.644 casos, recuo de 8,2% em maio deste ano. De janeiro a maio, a queda foi de 5,5%. Em 2019, foram 104.542 registros e em 2022, 98.765”, informou a pasta. “Em maio, o registro de furtos em geral cresceu 4,5%, de 46.625 para 48.725 boletins. No acumulado do ano, porém, os furtos em geral tiveram ligeira redução de 0,6%, com 226.267 casos. Em 2019, no mesmo período, foram contabilizadas 227.716 ocorrências.”

Avanço de roubos e furtos é ainda maior na capital paulista

A alta de roubos e furtos é ainda maior na capital paulista, segundo as informações divulgadas pela SSP. Em maio deste ano, foram registradas 11,6 mil ocorrências de roubo na cidade de São Paulo, alta de 10,56% na comparação com o mesmo período de 2021, em que foram feitos 10,5 mil boletins. Em 2019, foram 11,5 mil ocorrências em maio, praticamente o mesmo número de agora.  

Paralelamente, as notificações de furto saltaram de 14,7 mil, em maio de 2021, para 20,6 mil no mesmo mês deste ano, o que corresponde a um aumento de 39,42%. O índice atual é ligeiramente maior ao registrado em maio de 2019, em que foram contabilizados 20,5 mil boletins de furto pela polícia.

Como mostrou o Estadão, o avanço de roubos e furtos na cidade de São Paulo tem afetado principalmente bairros nobres e regiões centrais da cidade. Ao mesmo tempo, parte das cidades da região metropolitana, do litoral e do interior tiveram taxas de aumento de roubos no 1º trimestre até maiores do que a capital. 

Diante desse cenário, o trocou os comandos das polícias Civil e Militar no fim de abril e anunciou no dia 4 de maio a criação da Operação Sufoco, com objetivo de quase dobrar o efetivo policial que atua diariamente na cidade de São Paulo numa tentativa de frear a onda de furtos e roubos que tem assustado os moradores. 

Bandido que levantar a arma para a polícia vai levar bala”, disse o governador Rodrigo Garcia no lançamento da operação. Pré-candidato à reeleição, ele tem como um dos adversários o ex-ministro Tarcísio de Freitas (Republicanos), apoiado pelo presidente Jair Bolsonaro (PL), que tem como bandeira a postura “linha dura” contra bandidos.

Como parte da Operação Sufoco, foram intensificadas ainda ações como blitzes de motocicletas, uma vez que um dos focos apontados foram os falsos motoboys, que se passam por entregadores de aplicativo para cometer crimes. Os altos lucros obtidos por quadrilhas que fazem roubos por meio do Pix, ferramenta de pagamento instantâneo, atraíram a atenção do Primeiro Comando da Capital (PCC), conforme investigação da Polícia Civil de São Paulo. O Departamento Estadual de Investigações Criminais (Deic), inclusive, identificou que a facção atua no controle de crimes de transferência de dinheiro com celulares roubados em bairros de classe média alta da capital.

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