Hélvio Romero/Estadão
Hélvio Romero/Estadão

Governo de São Paulo troca comandos das polícias Civil e Militar

Osvaldo Nico Gonçalves assume como delegado-geral e Ronaldo Miguel Vieira vai liderar a PM; Estado enfrenta aumento de roubos e furtos

Redação, O Estado de S.Paulo

26 de abril de 2022 | 07h17
Atualizado 27 de abril de 2022 | 12h39

O governador de São Paulo, Rodrigo Garcia (PSDB), decidiu trocar os comandos das polícias Militar e Civil. Vai para a chefia da PM o coronel Ronaldo Miguel Vieira, que liderava o Batalhão de Choque. Já o novo Delegado-Geral é Osvaldo Nico Gonçalves, que era até agora responsável pelo Departamento de Operações Policiais Estratégicas (Dope). Garcia é candidato à reeleição e pretende anunciar novas medidas na área de segurança nas próximas semanas. Embora haja queda de homicídios, o Estado sofre com a alta de roubos e furtos. 

Ronaldo Miguel Vieira, de 51 anos, ingressou na corporação em 1989 e foi promovido a coronel em 2019. Além do Choque, ele comandou o Policiamento de Área Metropolitano-1, a Casa Militar, a Companhia Territorial e do Policiamento de Área e o Regimento de Polícia Montada 9 de Julho e outros cinco batalhões. Vieira assume a corporação no lugar do coronel Fernando Alencar, que estava no posto desde março de 2020. Maior do País, a PM paulista tem mais de 80 mil agentes.

Já o delegado Nico Gonçalves, de 65 anos, ingressou na Polícia Civil em 1979, como investigador. Ele foi o fundador do primeiro Grupo de Operações Especiais (GOE), chefiou as equipes do Departamento Estadual de Investigações Criminais (Deic), do Grupo Armado de Repressão a Roubos (Garra), do Grupo Especial de Resgate – GER, unidade especializada na soltura e livramento de reféns, e foi delegado de polícia na Capital, estando à frente de grandes eventos, como a visita do Papa Bento 16, em 2007, e a Copa do Mundo de 2014. 

Nico Gonçalves assume o lugar de Ruy Ferraz Fontes, que era o delegado-geral desde o início de 2019, quando começou a gestão João Doria (PSDB). O novo delegado-geral se notabilizou por participar de prisões de grande expressão na última década, como a detenção do ex-médico Roger Abdelmassih, em 2014, e do ex-médico Farah Jorge Farah, que se matou ao receber a polícia em sua porta para cumprimento de um mandado de prisão em 2017.

Rodrigo Garcia assumiu o cargo no início deste mês, após a saída de Doria para disputar a Presidência da República nas eleições de outubro. O cargo de secretário da Segurança, que gere as duas polícias, continua a ser ocupado pelo general João Camilo Pires de Campos.

Entre os desafios de Garcia para reduzir a sensação de insegurança nas ruas, estão frear os crimes patrimoniais, como roubos e furtos de veículos e celulares. Dados divulgados nesta terça-feira pela Secretaria da Segurança mostram que os roubos aumentaram 7,4% no primeiro trimestre deste ano na comparação com o mesmo período do ano passado. No total, foram cometidos mais de 59 mil roubos nas cidades paulistas. Aumento ainda mais vertiginoso aconteceu nos casos de furto: alta de 28% no período, com 132 mil registros.

No último ano, a criação do Pix, ferramenta de pagamento instantâneo do Banco Central, atraiu bandidos pela facilidade de transferências rápidas. Como o Estadão mostrou neste mês, o lucro com o Pix fez com que o Primeiro Comando da Capital (PCC) se unisse a quadrilhas de roubos de celulares em bairros nobres da capital. O sequestro-relâmpago também é uma modalidade de crime associada ao Pix. 

Outra mudança recente na Polícia Militar paulista foi o uso de câmeras nos uniformes dos agentes, como forma de controlar o uso de força nas ações da tropa. A corporação deve receber até o fim de abril mais 2.556 câmeras operacionais portáteis (Cop), com transmissão em tempo real das atividades diárias da tropa. O objetivo do Estado é terminar o ano com mais de 10 mil bodycams instaladas nos uniformes de policiais.

 

Apesar dos bons resultados do uso desse tipo de tecnologia, os pré-candidatos ao Executivo paulista têm colocado em xeque a validade das câmeras.  Garcia chegou a levantar dúvidas sobre o projeto - que ganhou força na gestão Doria, de quem era vice. À revista Veja São Paulo, o novo governador disse que as câmeras precisariam “filmar mais os bandidos do que a polícia”. “Para as operações especiais, como Choque e Rota, eu realmente tenho dúvidas.”

Ao Estadão, no entanto, Garcia mudou o discurso. “Tenho repetido: as câmeras filmam o bandido e protegem o policial. Transformar seu uso numa discussão ideológica, do contra ou a favor, é não levar a sério a segurança pública. Os dados até agora mostram que as câmeras protegem a vida do policial. Ninguém me provou o contrário”, afirmou. 

queda de letalidade policial no Estado após a adoção das câmeras foi de 46% na média mensal, comparando o período anterior ao posterior à adoção dos equipamentos. Os 18 batalhões que trabalham com câmeras registraram redução de 85%. 

Governador vai discutir medidas com aplicativos

Nesta terça-feira, o governador disse que está convidando aplicativos para que possam ajudar no combate à criminalidade. "Quero apoio dos aplicativos para juntos entendermos como vivem os operadores desses aplicativos. Várias ideias estão sendo colocadas na mesa."

Segundo Garcia, estratégias serão apresentadas e colocadas em prática a partir de maio para prender bandidos que se disfarçam de operador de aplicativos. "Precisamos combater e melhorar a sensação de segurança e, por isso, tomamos a decisão de renovação das nossas polícias para passar mensagem para que a gente possa atuar fortemente em relação a segurança pública."

Em nota, o IFood diz entender "que é importante a união de esforços e está sempre à disposição para colaborar com as autoridades de segurança pública". A empresa também informou que "mantém um time dedicado à investigação e prevenção a fraudes, visando minimizar e combater de forma preventiva qualquer tipo de golpe e  demais prática de atividades ilícitas".

Com relação aos crimes relacionados ao Pix, Garcia disse que as investigações estão avançadas. "O Pix, aplicativos e a volta do roubo e furto de veículo são os desafios. Temos que olhar para onde isso está indo e evitar esse tipo de crime. Se a gente não desvendar desmanches, não souber para onde está indo esses celulares e para onde está indo dinheiro do Pix, vamos ficar 'enxugando gelo' e não vamos sair do lugar. A polícia já tem investigações avançadas em relação a esses temas para que a gente possa começar a agir no mês de maio", declarou. 

Ele falou ainda em mudanças na legislação para combater o problema. "Talvez essa ação vai também nos demandar a mudança da legislação. Como governador, irei até Brasília para apresentar propostas concretas para o endurecimento de pena do código penal em relação ao Pix que é uma nova modalidade de transferência bancária. Não podemos abrir mão da tecnologia. Temos que aprender a conviver com ela e combater a criminalidade em relação ao pix. Desta forma que as nossas polícias estão preparando essas operações", reforçou. /COLABOROU RENATA OKUMURA

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