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Suspeito alega que queimou morador de rua após ter R$ 10 mil furtados, diz polícia

Carlos Roberto Vieira da Silva, de 39 anos, foi atacado enquanto dormia na Rua Celso de Azevedo Marques, na Mooca, no domingo

Felipe Resk, O Estado de S.Paulo

08 de janeiro de 2020 | 11h07
Atualizado 09 de janeiro de 2020 | 16h30

SÃO PAULO - Suspeito de queimar e matar um morador de rua na Mooca, zona leste, no fim de semana, Flausino Campos, o Buiú, de 49 anos, alegou ter praticado o crime por causa de um furto de R$ 10 mil, segundo a Polícia Civil de São Paulo. Ele teve a prisão temporária decretada pela Justiça e deve responder por homicídio doloso (quando há intenção de matar) qualificado.

Natural de Minas, Buiú também é morador de rua e vive na região da Mooca há cerca de 25 anos, de acordo com a investigação. Ele teria relação de proximidade com Carlos Roberto Vieira da Silva, de 39 anos, que sofreu queimaduras enquanto dormia na madrugada de domingo, 5, na Rua Celso de Azevedo de Marques. Socorrida ao hospital, a vítima não resistiu e morreu no dia seguinte.

"Ele confessou e disse que realmente praticou a conduta criminosa", diz a delegada Silvana Sentieri Françolin, titular do 18.º Distrito Policial (Alto da Mooca). Para chegar ao autor, a polícia analisou imagens de câmeras de segurança e colheu relatos de pessoas da região. Buiú também teria sido reconhecido por testemunha.

Aos policiais, o suspeito afirmou que sacou R$ 10 mil de uma poupança no fim de semana e contou só ter mostrado o dinheiro a Silva. Os dois eram colegas há quatro anos e costumavam dormir na mesma área, segundo a investigação.

Na manhã do crime, o valor teria sumido - motivo pelo qual Buiú presumiu ter sido furtado pelo colega. A Polícia Civil, no entanto, não acredita nessa versão.

Na análise dos investigadores, o valor seria alto para um morador de rua e também estaria acima do limite comum para saques em caixas eletrônicos. "Não é uma justificativa que nos convence", afirma o delegado Glaucus Vinicius Silva, titular do 56.º DP (Vila Alpina).

Para confirmar ou desmentir a versão, a polícia vai levantar se o morador de rua possui conta bancária e fez movimentação naquela data. Caso a motivação seja confirmada, ele deve ser indiciado pelo assassinato por motivo fútil. Para a polícia, o crime também envolveu as qualificadoras de meio cruel, uso de material combustível e recurso que impossibilitou a defesa da vítima. 

Buiú não era visto na Mooca desde o dia do crime e foi detido na região do Cambuci, no centro. Segundo a polícia, ele não resistiu à prisão e foi levado à carceragem do 18.º DP. 

Embora não apresentasse sinais de lesão - só parte do cabelo estaria chamuscada por causa da explosão -, o investigado passou por exame de delito. Os investigadores também aguardo laudo do Instituo Médico Legal (IML) para precisar a causa da morte de Silva.

Imagens de câmeras de segurança da região registraram o momento em que o suspeito se aproxima do colega e joga o que a polícia desconfia ser gasolina sobre a vítima. Em seguida, uma explosão acontece e o agressor foge.

Outro caso

Em outubro do ano passado, um morador de rua foi morto a pedradas em Ribeirão Preto, no interior paulista. Em julho, pelo menos três foram encontrados mortos em decorrência da onda de frio que atingiu a capital paulista.

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