Tiago Queiroz/Estadão - 19/05/22
Tiago Queiroz/Estadão - 19/05/22

Operação na Cracolândia causa nova dispersão de usuários de drogas pelo centro de SP

Ação da Polícia Civil fechou o trânsito da Avenida São João; dependentes químicos foram para a Rua Helvétia e região da Praça Marechal Deodoro

João Ker e Ítalo Lo Re, O Estado de S.Paulo

19 de maio de 2022 | 17h54

A Polícia Civil de São Paulo deflagrou nesta quinta-feira, 19, nova fase da Operação Caronte, para combater o tráfico de drogas na região da Cracolândia, nas proximidades da Avenida São João com a Rua Dr. Frederico Steidel, nos Campos Elísios, zona central da cidade. A ação foi um desdobramento da megaoperação realizada na madrugada do último dia 11, que resultou na prisão de ao menos sete suspeitos de integrar o tráfico de drogas na Praça Princesa Isabel, local que passou a ser conhecido como a “nova Cracolândia”. Desde então, a praça está fechada.

A operação fez com que parte dos usuários de drogas se espalhassem por vias da região. Por volta das 18h, a reportagem do Estadão encontrou pequenos grupos nas calçadas da Rua Helvétia, do outro lado da avenida onde acontecia a ação. Outras pessoas foram vistas em direção à Barra Funda, enquanto outras voltaram a se instalar na Praça Marechal Deodoro.

Nos últimos dias, o grupo de usuários havia se deslocado para a rua Frederico Steidel, próximo ao cruzamento com a Avenida São João. “Onde há usuários amontoados assim, pode ter certeza que haverá também a presença do tráfico”, disse o delegado Roberto Monteiro, da Seccional Centro. 

A operação cercou os dois lados da Rua Dr. Frederico Steidel e fechou o trânsito da Avenida São João. “Em muitas das barracas encontradas aqui, flagramos a presença de diversas drogas, inclusive com o rótulo do PCC (Primeiro Comando da Capital)”, conta Monteiro. 

Com o cerco, quatro pessoas tentaram fugir da polícia pelos telhados da vizinhança. Três foram presas e encaminhadas ao 77.º DP, em Santa Cecília. Um quarto caiu de cima de uma das casas e foi levado para atendimento médico.

Questionado sobre a possibillidade de os usuários voltarem a se aglomerar em outro ponto da região, como aconteceu após a ação da última semana, Monteiro disse que a Polícia Civil não tinha como objetivo "reprimir o fluxo" e que esse é um "problema de saúde pública, econômica e social". 

Na quarta-feira, 18, moradores dos bairros de Santa Cecília, Campos Elísios e República realizavam um protesto no Elevado Presidente João Goulart (Minhocão).  Nesta quinta-feira, enquanto a operação era deflagrada, era possível ouvir alguns panelaços vindo dos prédios no entorno da Rua Frederico Steidel com a Avenida São João.

Há uma semana, operação retirou usuários da Praça Princesa Isabel

Além de retirar barracas da Praça Princesa Isabel, o objetivo da operação na semana passada era cumprir 37 mandados de prisão e mais 10 mandados de busca e apreensão na região da Praça Princesa Isabel. A ação, que foi conduzida pelo 77º DP (Santa Cecília), contou com mais de 600 policiais civis e militares, além de membros da Guarda Civil Metropolitana (GCM). 

Na ocasiões, foram presos suspeitos como o 'Filé com Fritas', condinome de Lucas Felipe Macedo Marques, de 22 anos. Conforme o delegado Roberto Monteiro, da 1ª Seccional Centro, ele era considerado um "traficante relevante" na região. Apesar de algumas prisões, a ação, contudo, não conseguiu cumprir a maior parte dos mandados de prisão, o que teria motivado a nova incursão da polícia nesta quinta-feira.

A dispersão dos usuários de drogas pelas ruas do centro de São Paulo nas últimas semanas dificulta a ação de entidades de assistência social, que precisam "caçá-los" para entregar marmitas e cobertores. Essas dificuldades se juntam às carências das pessoas em situação de rua, número que tem crescido ano a ano - situação ainda mais dramática com a chegada do frio.

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