FELIPE RAU/ESTADÃO
FELIPE RAU/ESTADÃO

Entregue a última estação da Linha 5 do Metrô de São Paulo

Ramal Lilás agora conta com 17 paradas. Doria sinalizou retomada de obras e estudos para ir até o Jardim Ângela

Juliana Diógenes, O Estado de S.Paulo

09 de abril de 2019 | 03h00

Com goteiras e poças d’água e sem portas automáticas nas plataformas, a Estação Campo Belo foi inaugurada nesta segunda-feira, 8, após uma série de atrasos, completando a Linha 5-Lilás, que passou a ter todas as 17 estações em funcionamento. Nos 20 quilômetros de extensão, a linha atende a zona sul de São Paulo, ligando o Capão Redondo à Chácara Klabin, e transporta diariamente 550 mil passageiros em média. 

Usuários elogiam rapidez, limpeza e imponência das estações, mas se queixam de goteiras, ausência de portas automáticas e até falta de elevador nas estações do ramal. As portas automáticas nas plataformas já começaram a ser instaladas em algumas estações, como a Santa Cruz. Na AACD-Servidor, somente a plataforma no sentido Capão Redondo tem portas automáticas; a estrutura do lado oposto, sentido Chácara Klabin, está em fase de implementação.

A previsão inicial era de que a Linha 5-Lilás fosse entregue em 2016. Em julho do ano passado, a Companhia do Metropolitano, que administra a rede, informou que haveria novos atrasos no cronograma das estações que seriam inauguradas no primeiro semestre de 2018. Na época, foi informado que a Estação Campo Belo seria entregue em dezembro. 

A primeira estação da linha, Adolfo Pinheiro, foi aberta em 2014. As Estações Alto da Boa Vista, Borba Gato e Brooklin foram concluídas em 2017. Já as Estações Eucaliptos, Moema, AACD-Servidor, Hospital São Paulo, Santa Cruz e Chácara Klabin foram inauguradas em 2018. Durante a primeira semana de funcionamento, a Estação Campo Belo terá operação reduzida, das 10 às 15 horas, mas com cobrança de tarifa.

Para o estudante Gustavo Batista, de 17 anos, a Linha 5-Lilás é a melhor de toda a rede metroviária. “Não sei se é porque é a mais nova, mas é a que menos demora, tanto o tempo de espera do trem quanto a viagem em si. E é também a mais limpa”, afirma. Sobre a ausência de portas automáticas, o pai de Gustavo, o vendedor Pedro Batista, de 59 anos, diz que “para dar mais segurança é sempre bom ter portas automáticas”.

Críticas

Mas também há reclamações sobre o ramal. Entre as Estações Moema e Campo Belo, por exemplo, faltam ainda máquinas para recarga do bilhete único - somente guichês com funcionários. Usuários relataram ter visto goteiras na Santa Cruz no último fim de semana, após a tempestade que atingiu a capital paulista.

É o caso também da plataforma da AACD-Servidor, que leva usuários do transporte público - incluindo cadeirantes - até a Associação de Assistência à Criança Deficiente (AACD). Lá, um balde foi colocado para coletar as gotas que caem do teto, ao lado de uma placa amarela de alerta. “Dá para ver que foi entregue do jeito que deu. Como a gente necessita, ainda é melhor assim, funcionando, mesmo com goteira”, diz a professora Nilda Rosa, de 53 anos. Nesta segunda, ela levava o pai, cadeirante, para a AACD.

A Companhia do Metropolitano disse que as obras estão dentro da garantia e as empreiteiras foram acionadas para reparos nos locais onde foram observadas goteiras. Sobre o problema com as portas, o Metrô disse ter multado a empresa contratada em mais de R$ 50 milhões pelo atraso no cumprimento do cronograma estabelecido. Sobre as máquinas de recarga, a ViaMobilidade, concessionária da linha, disse que, na Estação Campo Belo, elas devem ser instaladas ainda em abril. Para as demais, há um processo de negociação em andamento. 

Expansão 

O número de usuários da Linha 5-Lilás deve aumentar após a integração com a Linha 17-Ouro (monotrilho), cujo contrato foi rescindido em função da lentidão nas obras.

Na inauguração desta segunda, o governador João Doria (PSDB) disse que foram retomados os estudos do Metrô para levar o modal até o Jardim Ângela, na zona sul. O tucano anunciou ainda a retomada das obras paradas do metrô e sinalizou a adoção do modelo de Parceria Público-Privada (PPP) para a conclusão do restante das estações.

“A boa notícia é que iniciamos os estudos, formalmente, para levar o metrô até o Jardim Ângela. A perspectiva é de, ainda este ano, atender até 850 mil usuários por dia (na Linha 5-Lilás). A outra boa informação é que, todas as obras paradas do Metrô serão retomadas em regime de concessão privada.”

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