Rafael Arbex/Estadão
Rafael Arbex/Estadão

Com os trilhos da Linha 5-Lilás, entorno muda e se valoriza

Tendência é de aumento da movimentação e de busca da área por um público mais jovem

Priscila Mengue, O Estado de S.Paulo

14 Novembro 2017 | 04h00

SÃO PAULO - Da janela de seu apartamento, a aposentada Sotiria Tassopoulous, de 71 anos, observa as transformações no distrito de Santo Amaro, na zona sul de São Paulo, há 39 anos. “Aumentou muito (o número de prédios). Daqui, eu conseguia ver todo o Morumbi.”

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Para ela, a inauguração da Estação Borba Gato, da Linha 5-Lilás, em setembro deste ano, também fez crescer o número de pedestres, o que ela espera que se intensifique com a conclusão de obras de edifícios residenciais na região. “Não vejo a hora. Vai ter mais gente morando. Os sábados são calmos por aqui”, diz.

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Segundo a Empresa Brasileira de Estudos de Patrimônio (Embraesp), as zonas de valor das novas estações de Metrô (Brooklin, Chácara Santo Antônio e Santo Amaro) tiveram 13.701 apartamentos lançados entre 2014 e 2016, o que representa 17,9% do total da cidade no período. Um dos diretores da empresa, Reinaldo Fincatti, aponta que a abertura do uma estação resulta em uma valorização de 10 a 30% nos imóveis do entorno. 

O impacto pode atingir também aos imóveis antigos, já disponíveis na região. Com um apartamento aberto para locação desde setembro de 2016 no Jardim das Acácias, bairro do Brooklin, o auditor Miguel Sanchez, de 45 anos, começou a receber mais propostas após a abertura da estação e está prestes a fechar um contrato com um engenheiro, que vai dividir o imóvel com um amigo.

As novas estações estão localizadas em uma “zona de valorização contínua”, de acordo com definição do professor de Arquitetura e Urbanismo da Mackenzie, Antonio Claudio Fonseca. “O vetor sudoeste é o que tem recebido a maior parte dos investimentos nos últimos 50 anos. Não é uma região que se degrada ou perde valor”, comenta. Para Fonseca, deve ocorrer uma mudança no perfil da região, que ainda concentra muitas casas, sobrados e edifícios com grandes apartamentos.

Professor de Arquitetura e Urbanismo da Universidade de São Paulo (USP), João Meyer concorda que o metrô torna a “região mais interessante paras as pessoas morarem”. “É uma região em que predominou mais uma ocupação de um padrão tipo família, em termos de prédios residenciais. Com o metrô, aumenta o interesse de um público mais jovem e de famílias menores”, comenta. 

 

Mais caro

Entre 2008 e 2016, o valor do metro quadrado dos lançamentos no distrito do Brooklin cresceu 75%, alcançando R$ 12.649, de acordo o Sindicato da Habitação de São Paulo (Secovi). O aumento está acima da média da capital, de 44,2% para o mesmo período, em valores corrigidos pela inflação. 

Locatária de um apartamento a uma quadra da Estação Brooklin, a cirurgiã dentista Fernanda Zanetti, de 23 anos, paga cerca de R$ 2.900 de aluguel. “Não acho (que vai aumentar), tenho certeza, mas aí não vou poder ficar. Com a crise, fica difícil.”

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