Felipe Rau/Estadão
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Doria acusa ministério de não enviar 228 mil doses e vê risco de atraso na vacinação de adolescentes

Governo de São Paulo afirma que situação pode afetar imunização de adolescentes; Ministério diz que quantitativo menor é forma de 'compensar' e 'manter equidade' entre os Estados

Priscila Mengue e João Ker, O Estado de S.Paulo

04 de agosto de 2021 | 12h41
Atualizado 05 de agosto de 2021 | 12h39

O governador de São Paulo, João Doria (PSDB), afirmou ter enviado um ofício ao Ministério da Saúde pela não entrega de metade das doses previstas de vacina contra a covid-19 da Pfizer na terça-feira, 3, ao Estado. Segundo ele, 228.150 imunizantes não foram enviados, "sem nenhuma justificativa" do governo federal. Na noite desta quarta-feira, 4, o ministério contestou o governo paulista, dizendo que houve uma "compensação". 

Doria qualificou a situação de uma "decisão arbitrária" e uma “quebra do pacto federativo”. Além disso, pediu que o ministério "imediatamente" envie o quantitativo. “Com menos vacinas do que o prometido, o Ministério da Saúde compromete o calendário de vacinação de crianças e adolescentes no Estado de São Paulo, previsto começar em 18 de agosto”, declarou em coletiva de imprensa.

Eduardo Ribeiro, secretário executivo da Secretaria Estadual da Saúde, lembrou que São Paulo costuma receber mais de 20% dos envios das vacinas. “Esta ação não pune o governo de São Paulo, mas a população. 228 mil pessoas podem ter sua imunização postergada por essa medida do ministério, a não ser que (o governo federal) abasteça ainda hoje o Estado de São Paulo.”

Segundo o secretário estadual da Saúde, Jean Gorinchteyn, o ofício enviado ao ministro da Saúde, Marcelo Queiroga, reivindica a entrega das doses faltantes em 24 horas. Até o momento, a vacina da Pfizer é a única autorizada no País para a aplicação em menores de idade, de 12 a 17 anos. 

O Ministério da Saúde negou durante coletiva de imprensa, na noite desta quarta-feira, que tenha punido São Paulo ao entregar menos doses de vacina da Pfizer do que o previsto. Segundo a pasta, que confirmou a diminuição no quantitativo distribuído ao Estado, o número menor de imunizantes é uma forma de "manter a equidade" no avanço da vacinação entre os entes federativos e "compensar" retiradas anteriores feitas pelo governo paulista. 

"Como o Butantan é em São Paulo, eles podem fazer a retirada direta da Coronavac. São Paulo deveria receber 620 mil doses, mas retiraram 678 mil. Em outra pauta, foram retiradas 271 mil doses, mas deveriam receber 178 mil. Fizemos agora uma compensação", afirmou Rosana Leite de Melo, secretária extraordinária de enfrentamento à Covid-19. 

Ainda segundo o Ministério da Saúde, a decisão foi tomada em conjunto pelo governo federal e pelos outros dois entes da federação, representados pelo Conselho Nacional de Secretários de Saúde (Conass) e pelo Conselho Nacional de Secretarias Municipais de Saúde (Conasems). Rodrigo Cruz, secretário executivo da pasta, também alegou que "não há um percentual fixo para a distribuição de doses" aos Estados e que o quantitativo "evolui à medida que evoluímos no Programa Nacional de Imunizações (PNI)".  

O ministério afirmou que "não há prejuízo ao Estado de São Paulo" na distribuição de doses e que, de acordo com estudos feitos pela própria pasta com base nas projeções do IBGE para o censo de 2020, a pauta de entregas está "equânime". Os estudos entretanto não foram apresentados. "As oportunidades devem ser as mesmas. Claro que a eficiência vai de cada um e isso vai continuar assim", disse Rosana, afirmando que a "disparidade" nos calendários estaduais tem "incomodado a população brasileira". 

De acordo com a última pauta de distribuição de vacinas pelo Ministério da Saúde, assinada por Rosana Leite de Melo em 30 de julho, São Paulo teria retirado 678 mil doses de Coronavac, 57.396 a mais do que o previsto, as quais seriam "descontadas da próxima pauta". 

Em nota, o governo do Estado negou que teria retirado mais doses da Coronavac do que o previsto e classificou como "mentirosa" a afirmação de Rosana. A administração paulista voltou a afirmar que estaria sendo “penalizada” pelo ministério e que recebeu apenas 50% das doses previstas. 

Festas, shows com público em pé e jogos com torcida serão liberados em novembro

O governo Doria anunciou ainda a estimativa de que shows com o público de pé e festas, além da presença de torcida em eventos esportivos (como jogos de futebol), estarão liberados a partir de 1º de novembro. A estimada foi feita a partir da expectativa de que cerca de 90% dos adultos estejam com o esquema vacinal completo até a data.

A utilização de máscaras continuará obrigatória. Além disso, as organizações deverão ter controle de público, mas não foi especificado como ocorrerá.

Cerca de 4% dos profissionais da rede estadual de SP não tomaram vacina contra a covid

O secretário estadual da Educação, Rossieli Soares, disse que cerca de 4% dos profissionais da rede estadual de educação não tomaram nenhuma dose da vacina contra a covid-19. A aplicação para trabalhadores do setor com 18 anos ou mais está aberta em todo o Estado desde 11 de junho.

"É importante fazer um alerta: esses que não tomaram nenhuma dose procurem, tomem a vacina, porque é fundamental. Eles não estão dispensados (das atividades presenciais) pelo fato de não tomarem a vacina. O profissional, mesmo com comorbidades, se tomou a decisão de não tomar a vacina, deverá voltar sim ao trabalho, exceto se faz parte de algum grupo de risco que não pode ser vacinado por prescrição médica", destacou o secretário.

Ao todo, 96% dos profisisonais de educação tomaram ao menos uma dose, o que representa 238 mil pessoas. Além disso, 44% da totalidade está com o esquema vacinal completo (duas doses ou vacina de dose única). 

Internações e óbitos caem em SP, mas mortes ainda estão acima dos registros de 2020

O Estado tem 4.084.112 casos e 139.870 óbitos por covid-19 confirmados. A taxa de ocupação é de 47,5% em leitos de UTI dedicados à covid-19, o que representa 5.164 pessoas. Outros 4.859 hospitalizados estão em leitos de enfermaria, de acordo com informações do governo estadual.

A média móvel (calculada com base nos últimos sete dias) de novas internações diárias foi de 1.025 na terça-feira, 3, a menor de 2021. Ela está em curva decrescente, desde 12 de junho, quando marcava 2.760 novos hospitalizados por dia, e é semelhante aos registros de meados de novembro. "É a vacinação que impacta (na queda)", justificou o secretário Jean Gorinchteyn.

Já a média móvel foi de 246 novos óbitos diários pela doença na terça-feira. Ela está em curva descendente desde abril, mas segue superior aos registros de janeiro deste ano e de todo 2020, quando a taxa mais alta foi de 219 mortes diárias, em 15 de setembro.

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