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Governador João Doria anuncia mudanças nas medidas contra covid-19 em São Paulo Governo SP

SP antecipa vacinação contra a covid-19 e anuncia mais flexibilizações para o comércio

Vacinação de adolescentes tem início antecipado para 18 de agosto; restrição de horário de funcionamento e da ocupação máxima de estabelecimentos comerciais será abolida em 17 de agosto

Priscila Mengue, O Estado de S.Paulo

28 de julho de 2021 | 12h42
Atualizado 29 de julho de 2021 | 15h07

O governo de São Paulo anunciou nesta quarta-feira, 28, uma nova antecipação no cronograma de vacinação da população contra a covid-19. Com indicadores da doença em queda, a gestão do governador João Doria (PSDB) também divulgou uma flexibilização mais ampla das restrições vigentes para o comércio. 

Batizada de "retomada segura", a nova flexibilização do governo prevê uma fase de transição de 1º a 16 de agosto, quando o horário de fechamento dos estabelecimentos passará de 23h para 0h e a ocupação limite, de 60% para 80%. A partir de 17 de agosto, a flexibilização aumenta para 100% de ocupação e se encerra a previsão de horário de fechamento. O toque de restrição no Estado de São Paulo também será extinto. 

"(Os locais poderão ter ocupação máxima) Desde que tenhamos a garantia do distanciamento de um metro entre os que frequentam os espaços", destacou a secretária estadual de Desenvolvimento Econômico, Patricia Ellen, em coletiva de imprensa.

O governo continua recomendando que se evite aglomerações; festas e grandes eventos seguem proibidos.  A proibição vale, por exemplo, para shows e eventos em casas noturnas, além de competições esportivas, que seguirão sem público. 

"O governo do Estado mantém a recomendação de escalonamento de horários para entrada e saída de trabalhadores dos setores de comércio, serviços e indústrias. Também seguem liberadas as celebrações individuais e coletivas em igrejas, templos e espaços religiosos, sob rígido cumprimento de protocolos de higiene e distanciamento social", informou a gestão Doria.

Os parques estaduais passarão a abrir em horário normal a partir de domingo. "A vida está voltando ao normal no Estado de São Paulo", declarou Doria.

O que muda com as novas flexibilizações do governo de São Paulo

- A partir de 1º de agosto

  • Estabelecimentos como bares e restaurantes poderão funcionar entre 6h e 0h, com ocupação presencial de 80%. A medida anterior previa funcionamento até 23h com 60% da capacidade. O acesso de clientes a shoppings, galerias, lojas de rua, bares e restaurantes deverá ser interrompido às 23h, com atendimento permitido até meia-noite;
  • Parques e unidades de conservação estaduais passarão a funcionar em horário integral.

- A partir de 17 de agosto

  • A expectativa é eliminar todas as restrições de horário e liberar atendimento presencial com capacidade de 100%, mas com manutenção das regras para máscaras, distanciamento e protocolos de higiene.

O que não muda

  • Uso de máscara continua obrigatório;
  • Os estabelecimentos precisam observar o distanciamento social, com orientação de um metro entre as pessoas;
  • Festas e grandes eventos seguem proibidos, como espetáculos em casa noturnas e shows;
  • Competições esportivas devem seguir sem público;
  • O governo do Estado mantém a recomendação de escalonamento de horários para entrada e saída de trabalhadores dos setores de comércio, serviços e indústrias;
  • Seguem liberadas as celebrações individuais e coletivas em igrejas, templos e espaços religiosos.

Vacinação de adolescentes terá início em 18 de agosto

A vacinação da população de 18 anos ou mais contra a covid-19 foi adiantada de 20 para 16 de agosto, enquanto a de adolescentes teve o início antecipado de 23 para 18 de agosto. 

O governador atribuiu a antecipação das datas à compra estadual de 4 milhões de doses adicionais da Coronavac. "Já chegaram e já foram distribuídas. E, com a ajuda de prefeitos e prefeitas, estamos podendo antecipar a vacinação." 

O calendário estadual prevê a imunização da população de 28 a 29 anos desta sexta-feira, 30, até 4 de agosto, enquanto o público de 25 a 27 anos terá a vez de 5 a 9 de agosto. Já quem tem de 18 a 24 anos poderá procurar os pontos de aplicação de 10 a 16 de agosto.

Na sequência, a vacinação de 18 a 29 de agosto será focada no público de 12 a 17 anos com comorbidades, deficiências, gestantes e puérperas. De 30 de agosto a 5 de setembro, a campanha vai focar em todos os adolescentes de 15 a 17 anos, enquanto os de 12 a 14 anos receberão a primeira dose de 6 a 12 de setembro.

Governo diz que 748 mil pessoas não retornaram para a segunda dose

Cerca de 748 mil pessoas não retornaram aos postos para tomar uma segunda dose. Segundo a coordenadora do Plano Estadual de Imunização, Regiane de Paula, o número é considerado baixo. Na cidade de São Paulo, 216 mil moradores estão com a segunda dose atrasada.

O Estado tem 4.015.426 casos e 137.740 óbitos por coronavírus confirmados. A taxa de ocupação é de 53% em UTI, de acordo com informações da Fundação Sistema Estadual de Análise de Dados Estatísticos (Seade). 

Ao todo, São Paulo está com 5.907 de internados em UTI com quadro relacionado à covid-19. O número é de 5.555 hospitalizados em leitos de enfermaria. O secretário da Saúde, Jean Gorinchteyn, destacou que as internações caíram 62,7% e os óbitos em 57% em relação ao auge da segunda onda.

A média móvel (calculada com base nos últimos sete dias) foi de 321 novos óbitos diários pela doença na terça-feira, 27. Ela está em curva descendente desde abril, mas segue superior aos registros de janeiro e fevereiro deste ano e de todo 2020, quando a taxa mais alta foi de 219 mortes diárias, em 15 de setembro.

Já a média móvel de novas internações diárias foi de 1.153 na terça-feira, a menor de 2021. Ela também está em curva decrescente, desde 12 de junho, quando marcava 2.760 novos hospitalizados por dia, e é semelhante aos registros do fim de novembro.

Infectologista vê as novas medidas ‘com cautela’

Raquel Stucchi, infectologista da Unicamp e consultora da Sociedade Brasileira de Infectologia, entende que o anúncio feito pelo governo estadual ainda não traz tranquilidade à população. 

Após mais de um ano de pandemia, ela avalia que o anúncio de um possível fim pode ser perigoso, se feito de forma precoce. Apesar de cerca de 78% da população acima de 18 anos já ter tomado pelo menos uma dose, ela vê as mudanças “com cautela”. “É um número que não nos dá conforto quanto à flexibilização”, explica a infectologista. 

O anúncio de flexibilização pode mudar o cenário. Apenas 21% da população do Estado está completamente imunizada. Segundo Raquel, isso não é suficiente para impedir o crescimento de novos casos da variante Delta no País. “Precisaríamos ter, para ficarmos tranquilos, uma vacinação completa de 70% a 80% da população, mas estamos muito longe desta cifra.” Acrescentou que esse cenário pode favorecer aparição de novas variantes. 

Raquel ainda destaca a importância de usar outros países como exemplo do que deve ou não ser feito. Segundo ela, o Brasil não aprendeu as lições que deveria. “Mais uma vez, parece que vamos desafiar a realidade vivenciada pelos outros países”. E prossegue: “A vacinação não é capaz de controlar a pandemia se não ocorrer universalmente.” O anúncio, enfatiza a infectologista, mexe com a vontade da população de reencontrar amigos, abandonar as máscaras, mas é preciso cautela.

Estação de metrô abrigará pessoas em situação de rua nesta semana

O Governo do Estado anunciou, ainda, que a estação de metrô Dom Pedro II funcionará temporariamente como espaço de acolhimento para homens em situação de rua desta quarta até sábado, 31, quando São Paulo deve enfrentar uma baixa nas temperaturas. O espaço receberá até 400 pessoas entre as 20 e as 8 horas. Além disso, as vagas em centros de acolhidas serão ampliadas em 2 mil pelos próximos três meses em 134 municípios.

Presente na coletiva, o Padre Julio Lancellotti, da Pastoral Povo da Rua, anunciou que acompanhará o acolhimento a pessoas em situação de rua na estação e que espaços da Arquidiocese de São Paulo e da Congregação Israelita Paulista também estarão abertos nas próximas madrugadas. Ele fez um apelo para que a população também apoie, com agasalhos, bebidas quentes e outros itens caso encontre alguém em via pública. /COLABOROU RAFAELA BARBOSA, ESPECIAL PARA O ESTADÃO

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Governo deve acabar com sistema de cores no Plano São Paulo

Mudança ocorrerá nas próximas semanas, quando serão criados novos indicadores; o avanço da vacinação é o motivo

Renata Cafardo, O Estado de S.Paulo

28 de julho de 2021 | 05h00

O governo paulista deve acabar nas próximas semanas com sistema de cores que indicam as fases de flexibilização no Plano São Paulo. O motivo, segundo integrantes do Centro de Contingência que auxilia o governo nas decisões sobre a pandemia, é o avanço da vacinação no Estado. Nesta quarta-feira, 28, em coletiva, deve ser anunciada maior ocupação de bares, restaurantes e comércio, até então limitada a 60%.

Segundo o Estadão apurou, especialistas do comitê vão criar nas próximas semanas novos indicadores para determinar a flexibilização dos serviços no Estado. Isso porque, acreditam, em um contexto de vacinação avançada não existe mais a mesma relação entre números de infecções, hospitalização e mortes que norteou o plano até agora. 

Em países com altos índices de vacinação e que têm visto o aumento de infecções, como Reino Unido e Estados Unidos, o registro de hospitalizações e mortes não acompanha o mesmo ritmo. Por isso, a circulação pode não ser proibida, mas protocolos sanitários precisam ser mantidos. 

Nesta semana, o Center for Disease Control and Prevention (CDC), órgão de controle dos EUA, mudou suas recomendações. Passou a pedir novamente que os americanos usem máscaras em espaços públicos fechados. Professores e alunos, que em muitas cidades já tinham encerrado o ano letivo em junho sem a proteção, também terão de voltar a usá-la.

São Paulo está atualmente numa fase chamada de transitória pelo governo, que seria uma ponte entre a vermelha e a laranja. No entanto, foram autorizadas ocupações de espaços que condizem com o esperado nas fases menos restritivas, como amarela e verde. Este ano, o governo criou em março também a fase emergencial, mais grave que a vermelha. 

São Paulo registra nos últimos dias redução no número de novas internações por covid-19 por causa do avanço na vacinação. A média de novas hospitalizações entre os dias 15 e 21 de julho ficou em 1.403, a menor desde o início do ano. Apesar da queda, o total de internados ainda é alto e 6.920 pessoas ocupam hoje leitos de UTI. 

Segundo o governo, 288 municípios paulistas – 44% do total – não registraram mortes por covid na última semana. O Estado já acumula 3,9 milhões de casos e 135,9 mil mortes por covid.

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Veja novo calendário de vacinação contra a covid-19 no Estado de São Paulo

Datas contemplam população adulta e adolescentes; objetivo é que todos com 12 anos ou mais recebam ao menos uma dose do imunizante contra o coronavírus até meados de setembro

Priscila Mengue, O Estado de S.Paulo

28 de julho de 2021 | 15h11

O governo de São Paulo anunciou nesta quarta-feira, 28, um novo calendário para a vacinação contra o coronavírus. As datas incluem tanto a população adulta quanto os adolescentes de 12 a 17 anos, com o objetivo de que todos recebam ao menos uma dose do imunizante contra a covid-19 até meados de setembro.

No anúncio, em coletiva de imprensa, a gestão João Doria (PSDB) destacou que as datas consideram "as entregas das vacinas anunciadas no site do Ministério da Saúde". O início para cada faixa etária em nível municipal depende também das prefeituras e da dinâmica de entregas. Portanto, pode haver variações nas datas a depender da localidade.

O público de faixas etárias já contempladas e grupos prioritários que ainda não tomaram a vacina também devem se encaminhar aos pontos de aplicação. A indicação é que a população faça um pré-cadastro na plataforma Vacina Já (vacinaja.sp.gov.br) antes de ir a um posto de aplicação. Também é recomendado levar documento de identidade e comprovante de residência.

Veja abaixo as datas da vacinação contra a covid-19 no Estado de São Paulo:

- Pessoas de 30 a 34 anos: 19 a 29 de julho;

- Pessoas de 28 a 29 anos: de 30 de julho a 4 de agosto;

- Pessoas de 25 a 27 anos: de 5 a 9 de agosto;

- Pessoas de 18 a 24 anos: de 10 a 16 de agosto;

- Adolescentes de 12 a 17 anos com comorbidades/deficiências, gestantes ou puérperas: 18 a 29 de agosto;

- Adolescentes de 15 a 17 anos em geral: de 30 de agosto a 5 de setembro;

- Adolescentes de 12 a 14 anos: de 6 a 12 de setembro.

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