Tiago Queiroz/Estadão
Tiago Queiroz/Estadão

Depois de 8 anos fechado, 1º arranha-céu de SP reabre ao público

Edifício Sampaio Moreira passa a abrigar Secretaria Municipal de Cultura, mas terá visitas guiadas e andar com características originais preservadas

Priscila Mengue, O Estado de S.Paulo

12 Setembro 2018 | 05h48

SÃO PAULO - Quem hoje o vê no meio de espigões do Vale do Anhangabaú pode até duvidar, mas o Edifício Sampaio Moreira já foi o prédio mais alto da cidade de São Paulo, com seus cerca de 50 metros e 13 pavimentos. O “avô dos arranha-céus”, como é popularmente chamado, passou oito anos fechado para o público, e acaba de reabrir.

Tombado desde 1992 e desapropriado pela Prefeitura em 2010, o prédio se tornou a nova sede da Secretaria Municipal de Cultura, que antes ocupava parte da Galeria Olido, outro imóvel icônico do centro. A reinauguração foi realizada na terça-feira, 11, embora a mudança completa ainda se estenda por alguns dias. 

Na sede antiga, a secretaria passará a ocupar apenas um andar, enquanto as demais atividades, o que inclui o gabinete do secretário André Sturm, ficarão no novo prédio, localizado na Rua Líbero Badaró, a menos de uma quadra do também histórico Edifício Matarazzo, sede da Prefeitura e de cinco secretarias municipais. Com a mudança, a gestão diz que economizará R$ 1,5 milhão em aluguel por ano.

Iniciadas em 2012, a restauração e a reforma do imóvel chegaram a ser paralisadas em 2015. Segundo o prefeito, Bruno Covas (PSDB), a interrupção era por falta de verba, obtida majoritariamente por meio do Fundo de Desenvolvimento Urbano (Fundurb), totalizando R$ 28,9 milhões. Em 2011, o custo estimado era de R$ 15 milhões, com entrega para o ano seguinte. “Quando gente assumiu, foi atrás do que faltava – dos R$ 5 milhões – e, em um ano e meio, conseguimos entregar esse edifício”, afirmou.

O prédio começará a receber visitas com guia para o público em geral, mediante cadastro, em outubro, como já ocorre na sede da Prefeitura, de acordo com Sturm. “A gente deixou preservado o quinto andar, para que seja o principal ponto de visitação.” A primeira parte da obra inclui a restauração do espaço, a adaptação da estrutura interna e a construção de um bloco nos fundos, que passa a ser interligado à parte mais antiga por nove passarelas. “A gente valoriza o imóvel, dá uso e, como ele é da secretaria, deixa de pagar aluguel. Então são muitos ganhos para a cidade.”

Há ainda uma segunda fase de obras, com previsão de conclusão para maio e que já está com a licitação aberta, segundo Sturm. Ela inclui a inauguração de um refeitório para funcionários no terraço, que tem vista para o Vale do Anhangabaú, o Edifício Martinelli, o Edifício Altino Arantes e a sede da Prefeitura. Além disso, abarca um auditório e a restauração da fachada. O projeto da obra é do arquiteto Samuel Kruchin, responsável pela restauração do Palácio da Justiça e do Cine Marabá. O planejamento inclui ainda uma praça em um terreno anexo do imóvel, mas sem previsão para implementação.

Edifício Sampaio Moreira tinha 180 salas comerciais

O prédio foi inaugurado em 1924, sendo oficialmente o maior da cidade até 1929, data de conclusão das obras do Edifício Martinelli, hoje sede de atividades da Secretaria Municipal de Urbanismo e Licenciamento. O projeto é do arquiteto Christiano Stockler, autor da Estação Julio Prestes, e foi encomendado pelo banqueiro Sampaio Moreira. Originalmente, tinha 180 salas comerciais, estrutura hoje adaptada para receber a secretaria. Apenas o quinto andar do prédio teve mantida a configuração original.

No térreo, ainda funciona a Casa Godinho, mercearia mais antiga que a própria construção, que é considerada como patrimônio imaterial da cidade desde 2013. O espaço é permissionário da Prefeitura e se manteve aberto durante a obra. “A nossa perspectiva é que, com a reabertura, atraia mais gente, até como turismo”, afirma o gerente da mercearia, José Roberto Piovani. 

Diariamente, ele conta que cerca de 500 pessoas vão ao estabelecimento.

Prédio histórico é raridade com elementos art nouveau

De concreto armado, o edifício é eclético, misturando elementos de art nouveau e neoclássicos, de acordo com a diretora do Departamento de Patrimônio Histórico (DPH), Mariana Rolim. “O art nouveau é pouco comum em São Paulo; quando usado, foi em residenciais.”

Segundo ela, o edifício tem uma inspiração mais norte-americana e só pode ser avistado do Anhangabaú porque o terreno em frente também pertenceu a Sampaio Moreira, que o doou ao Município com a condição de que fosse uma área pública, sem construções. 

Na época em que surgiu, o padrão de edifícios era de quatro a cinco pavimentos, sendo um precursor da verticalização do centro. “É o primeiro com a lógica do arranha-céu, de ocupar um lote pequeno e subir o máximo possível. Ele só não é mais alto por causa da questões técnicas da época.”

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