WAGNER SOUZA/ FUTURA PRESS
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Assalto a empresa de valores causa caos em Viracopos; 3 suspeitos são mortos

Dois seguranças foram baleados e levados para hospitais de Campinas - um major da PM foi atingido; durante a ação, a quadrilha ateou fogo em dois caminhões na Rodovia Santos Dumont e fez três reféns, entre eles, uma criança

José Maria Tomazela e Cláudio Liza Júnior, especial para o Estado, O Estado de S.Paulo

17 de outubro de 2019 | 11h37
Atualizado 18 de outubro de 2019 | 11h28

CAMPINAS - Criminosos armados invadiram o terminal de cargas do Aeroporto Internacional de Viracopos, em Campinas, no interior de São Paulo, trocaram tiros com seguranças e assaltaram a transportadora de valores Brinks, na manhã desta quinta-feira, 17. Houve confronto, pânico na rua e fuga com reféns durante a ação, que terminou com três assaltantes mortos. Dois seguranças da empresa também foram baleados. Sem dar valores, a Brinks informou que a maior parte do dinheiro foi recuperada pela polícia. O aeroporto ficou fechado por 20 minutos para pousos e decolagens.

Um dos criminosos foi morto por um sniper, após invadir casas e fazer reféns no bairro Campina Verde, na periferia da cidade. Dos três reféns, entre eles uma criança, só uma se feriu levemente. Um major da Polícia Militar foi atingido, mas sem gravidade. À noite, o governador de São Paulo, João Doria (PSDB), foi ao batalhão local e cumprimentou os agentes pela ação. Segundo ele, bandido que reage com arma à polícia paulista vai “para o cemitério”.

O governador também cobrou mais segurança e ações preventivas nos aeroportos federais, lembrando o ataque anterior, em julho, em Guarulhos.

“Não são razoáveis situações como esta, com grau de aparente facilidade para ingresso de bandidos em área restrita. A polícia estadual cumpriu seu papel.”

Sobre a crítica do governador, a Empresa Brasileira de Infraestrutura Aeroportuária (Infraero) informou que, embora não seja responsável pela administração desses aeroportos, concedidos à iniciativa privada, entende que as questões de segurança em aeroportos são de responsabilidade compartilhada entre os governos federal, estaduais e locais.

Bandidos usaram veículo camuflado e arma antiaérea

Inicialmente, por volta das 9h30, a quadrilha, com cerca de 20 criminosos, ateou fogo a três caminhões na Rodovia Santos Dumont (SP-79), principal acesso ao aeroporto, e fugiu. As duas pistas foram bloqueadas. O tráfego era intenso e houve pânico entre os usuários da rodovia.

De acordo com a administração do terminal, os bandidos usaram um veículo com cores e características da Aeronáutica. Mesmo assim, a caminhonete foi parada, mas acelerou e rompeu o portão de acesso. Mesmo com os pneus estourados pela grade de segurança, os criminosos seguiram para o terminal e atiraram contra os seguranças.

Imagens de câmeras de segurança mostram que o carro-forte, carregado com o dinheiro, já adentrava a pista para se dirigir ao avião que receberia o montante – a ser enviado para um banco na Inglaterra. Os criminosos usaram uma metralhadora ponto 50, arma antiaérea, para obrigar o carro-forte a parar. Eles também portavam fuzis.

Na sequência, os criminosos foram surpreendidos por guardas municipais, após roubarem um caminhão de lixo na fuga – onde foi achado um malote. Houve novo confronto, quando atiraram para afastar a GM, mas foram seguidos por policiais militares. Foi quando começou a perseguição pelas casas do bairro na região do aeroporto. Um dos criminosos entrou em uma residência da Campina Verde, por volta do meio-dia, e passou a manter como refém uma mãe com seu bebê, de 10 meses. A casa foi cercada pela polícia e começou um processo de negociação, que se estendeu por duas horas.

Segundo o coronel Luiz Augusto Pacheco Ambar, do Grupo de Ações Táticas Especiais (Gate), da PM, por volta das 14 horas o assaltante, identificado como Luciano Santiago, aumentou a agressividade, com a arma voltada para a cabeça da mãe da criança. Um atirador (sniper) da polícia, postado do outro lado da rua, teria então atirado para preservar as vítimas.

“Ele aumentou a agressividade de forma descontrolada.”

A advogada de Santiago, Alessandra Girardi, disse estar revoltada com o desfecho, pois seu cliente disse ao telefone que estava disposto a se entregar.

“Estava tudo certo. Não negamos o crime, ele roubou, sequestrou, mas seria preso. Agora, tirar a vida?”, indagou.

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Não negamos o crime, ele roubou, sequestrou, mas seria preso. Agora, tirar a vida?
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Alessandra Girardi, advogada de suspeito morto por sniper

De acordo com o major André Luiz Pacheco Pereira, do Batalhão de Ações Especiais da PM (Baep), de Campinas, que iniciou as negociações até a chegada do Gate, os outros dois assaltantes morreram em troca de tiros ao invadir uma casa.

O dono de uma das casas invadidas, o metalúrgico Cleberson Constantino Gomes, foi surpreendido com uma ligação informando que seu irmão chegou a ser feito refém, no local onde os dois criminosos foram mortos.

“Meu irmão, que é pedreiro, e quatro serralheiros estavam trabalhando lá. Falaram que viram um carro da GM batendo na caçamba, mas eram ladrões e entraram seguidos da polícia”, disse.

Houve pânico até no aeroporto. De acordo com a concessionária, durante o tiroteio, as pessoas que estavam no saguão de check-in e se dirigiam para os aparelhos de raio X acabaram invadindo a sala de embarque sem passar pela inspeção. Depois que os tiros cessaram, foi necessário evacuar a sala para uma nova passagem pelo raio X.

“Havia várias pessoas nervosas por causa do tiroteio”, relatou o corredor paulistano Marcos Galdino.

Por causa do ataque criminoso, a administração informou que 14 voos atrasaram e um foi cancelado.

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Havia várias pessoas nervosas por causa do tiroteio
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Marcos Galdino, corredor

A assessoria da Brinks informou que os dois vigilantes atingidos no confronto com assaltantes, no aeroporto de Viracopos, são colaboradores da empresa. Eles receberam atendimento médico e passam bem.

A Brinks informou ainda que a maior parte do dinheiro levada pelos assaltantes foi recuperada pela polícia. O valor não foi informado.

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