Ela mora na ‘melhor casa do mundo’

Dona Dalva, a diarista da Vila Matilde cuja residência – que custou R$ 150 mil – acaba de ganhar prêmio internacional

Edison Veiga

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Foto: Gabriela Bilo/ Estadão

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Em fevereiro de 2014, o teto do quarto de Dalvina Borges Ramos, a dona Dalva, despencou sobre a cama. “Por sorte, estava no banho. Por Deus”, diz ela. Exatos dois anos depois, a diarista de 74 anos mora na melhor casa do mundo, de acordo com premiação anual do site ArchDaily. “Será mesmo?”, ainda reluta em acreditar. “Eu acho minha casa diferente, mas não sei se é a melhor. Parece casa de fazenda, chão de cimento, paredes sem aquela massinha lisa…”

Baiana de Itaquaraí, dona Dalva mudou-se para São Paulo em 1966, depois de morar um tempo na interiorana Pirajuí, onde trabalhava na roça. Na capital paulista, sempre foi empregada doméstica. “Vinte anos na mesma casa, trinta anos como diarista”, contabiliza. “Nesse tempo todo, guardei cada moedinha que sobrava porque um dia queria ter uma casa boa.”

O dinheiro nunca chegava. Mas a iminente ruína de sua residência, na Vila Matilde, zona leste de São Paulo, fez com que o filho, o vendedor Marcelo Borges Ramos, de 41 anos, a convencesse de que não dava mais para esperar: os R$ 150 mil que ela conseguira guardar precisariam bastar para a casa nova.

Sua ex-mulher era amiga da prima da mulher de um arquiteto, isso Marcelo sabia. Um arquiteto daria jeito em fazer caber o orçamento dentro de tão econômica cifra. Foram lá.

Era o escritório Terra e Tuma, em Pinheiros. O arquiteto se chama Danilo Terra – e o projeto foi conduzido por ele, em parceria com Pedro Tuma e Fernanda Sakano. “Eles deixaram claro que tinham esse valor na poupança, bem restrito”, recorda-se Tuma. “Achamos que era, sim, viável. Com a consciência de que há certas dificuldades em trabalharmos com um limite financeiro frágil, que não pode ser ultrapassado de forma alguma.”

“Mais que isso”, acrescenta Terra. “Pensamos que não era possível que uma senhora de mais de 70 anos não conseguisse ter sua casa nova depois de tantos anos guardando o dinheirinho dela.”

Foto: Gabriela Bilo/ Estadão

Foto: Gabriela Bilo/ Estadão

Foram quatro meses de demolição e seis meses de obra. E o imóvel, de 95 metros quadrados, estava pronto. “Minha antiga casa estava despencando. Você passava a mão na parede e caía areia”, compara Dalva. “Esta eu acho que não vai desabar tão cedo. Eu me sinto segura: valeu cada moedinha que eu guardei.” Os arquitetos garantem. “É a melhor execução de obra que a gente tem na carreira”, diz Terra.

“Eu não sabia que ia ficar assim, diferente”, comenta dona Dalva. “Trabalhei em um monte de casa diferente na minha vida, mas nunca tinha visto uma assim. É gostosa, fresquinha…” Contemporânea, definem os arquitetos. “É importante deixar claro que não se trata de um projeto de menor qualidade, por ser mais barato. Pelo contrário: é arquitetura contemporânea, da maneira como a gente acredita. E que funciona para qualquer um de nós”, ressalta Tuma.

Foto: Gabriela Bilo/ Estadão

Foto: Gabriela Bilo/ Estadão

A casa ficou em primeiro lugar na categoria residência, por votação, no site ArchDaily – o maior do mundo especializado em Arquitetura. Quem deu a notícia à dona Dalva, foi o filho. “Ainda não caiu a ficha”, diz.

Em entrevista ao Conselho de Arquitetura e Urbanismo do Brasil (CAU/BR), os arquitetos explicam o projeto:

Dona Dalva, também em entrevista ao CAU/BR:

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