Edu Silva/Futura Press
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Motorista voltava de balada sertaneja e tinha lata de cerveja no carro

Comissário de bordo Alexandre Stoian morreu carbonizado na Avenida dos Bandeirantes; Artur Falcão Sfoggia presta depoimento

Bibiana Borba e Felipe Resk, O Estado de S.Paulo

14 Julho 2017 | 14h39
Atualizado 14 Julho 2017 | 21h03

SÃO PAULO - O motorista que bateu no carro onde estava o comissário de bordo Alexandre Stoian, de 43 anos, na Avenida dos Bandeirantes, na zona sul de São Paulo, presta depoimento no 96º Distrito Policial (Cidade Monções) nesta sexta-feira, 14. Stoian morreu carbonizado após seu veículo pegar fogo. Artur Falcão Sfoggia, de 33, voltava de uma balada sertaneja na zona oeste e é acusado de não ter prestado socorro às vítimas.

A polícia encontrou uma lata de cerveja amassada no carro de Sfoggia, um Volskwagen Jetta. O veículo foi abandonado no local do acidente. Segunda a polícia, pessoas que estavam no local afirmaram a agentes da Companhia de Engenharia de Tráfego (CET) que viram Sfoggia sair do carro, entrar em um terceiro veículo e fugir em alta velocidade.

A Polícia Civil investiga se eles estariam envolvidos em uma disputa de racha.

Após levantar dados do carro, os policias conseguiram localizar o motorista e o primo dele, um empresário de 35 anos, que estava de passageiro na hora do acidente, em um apartamento na Rua Indiana, no Brooklin, na zona sul. 

Os dois estariam saindo da balada sertaneja Villa Country, na Água Branca, na zona oeste.

A caminho do trabalho 

Na hora da colisão, Stoian dirigia a caminho do Aeroporto de Congonhas, para de lá pegar um ônibus da Gol, empresa onde trabalhava, que o levaria à Cumbica, em Guarulhos, na Grande São Paulo. Ele estava acompanhado pela mulher, que ficaria com o carro depois.

No 27° DP, a mulher de Stoian afirmou que os dois saíram cedo de casa, por volta das 2h45. Segundo ela, estavam com tempo de folga para chegar ao trabalho.

Segundo o depoimento da vítima, cerca de uma hora depois, a pista estava livre na Bandeirantes, no sentido da Rodovia dos Imigrantes: o carro trafegava abaixo do limite de velocidade, quando o casal foi surpreendido por um "impacto forte".

Ainda de acordo com ela, o veículo começou a girar na pista após a batida, mas não capotou. Ao parar, ela disse que imediatamente percebeu que o carro estava pegando fogo.

A porta do passageiro estava aberta, mas as chamas estavam altas, segundo o depoimento. Aos policiais, a mulher afirmou ter percebido que o vidro da janela do motorista estava quebrado e conseguiu sair por lá.

A mulher teria chamado por Stoian, que não respondia: parecia desacordado. Também percebeu que o cinto dele ainda estava preso. Ela sofreu vários ferimentos leves.

Motoristas ouviram os gritos de socorro da mulher e pararam para ajudar. Eles tentaram apagar o fogo com extintores dos carros, mas não conseguiram tirar o comissário de bordo de dentro do veículo. Stoian tem um filho de 19 anos, de outro relacionamento.

A pista expressa da Bandeirantes ficou interditada até em torno das 6h40, na altura da Rua Porto Martins. O trânsito chegou a ficar congestionado desde a altura da Marginal do Pinheiros, mas voltou a fluir às 7 horas.

Defesa. O advogado de defesa Dhyego Lima afirmou "lamentar profundamente" o acidente. “Presto minhas condolências à família da vítima”, disse. “Meu cliente está em pânico com tudo isso que o ocorreu, foi uma fatalidade.”

“Em momento algum meu cliente se omitiu de socorro, porque eu apresentei ele no prazo de 24 horas”, disse Lima. “Ele ficou com queimaduras de 2.º e de 3.º grau, comprovadas nos autos, pois tentou ajudar.”

Segundo o advogado, Sfoggia teria sofrido uma tentativa de linchamento, por isso saiu do local do acidente e voltou para o apartamento. Questionado, Lima não comentou sobre as drogas encontradas no carro. "Isso eu já discordo, já não posso afirmar. Eu nem acompanhei (a perícia)."

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