Hélvio Romero/Estadão
Hélvio Romero/Estadão

Estações do metrô amanhecem com portões fechados nesta quinta-feira

Paralisação é contra privatização das Linhas 5-Lilás e 17-Ouro; CPTM e Linha 4-Amarela, que liga as estações Luz e Butantan, funcionam normalmente

O Estado de S.Paulo

18 Janeiro 2018 | 05h37
Atualizado 18 Janeiro 2018 | 11h05

SÃO PAULO - Dezenas de estações do Metrô amanheceram fechadas em São Paulo na manhã desta quinta-feira, 18, por conta de uma greve confirmada em assembleia realizada pelo Sindicato dos Metroviários de São Paulo na quarta-feira, 17. 

O protesto, segundo os sindicalistas, é contra a privatização das linhas 5-Lilás e 17-Ouro, marcada para ocorrer na sexta-feira, 19. A greve deve durar 24 horas, de acordo com o anúncio feito pelos metroviários.

Por causa da confirmação de greve dos metroviáriosa Secretaria Municipal de Mobilidade e Transportes (SMT) informou que suspendeu o rodízio municipal de veículos e a cobrança de Zona Azul na capital. Carros com placas final 7 e 8 poderão circular pelo Centro expandido normalmente durante todo o dia. As demais restrições - Zona de Máxima Restrição à Circulação de Caminhões (ZMRC) e a Zona de Máxima Restrição ao Fretamento (ZMRF), além do rodízio de placas de caminhões - serão mantidas. 

++ Com paralisação do Metrô, SP suspende rodízio de veículos e Zona Azul

A SPTrans informou que vai implantar uma operação especial e estendendo itinerários de linhas para permitir o acesso à região central. Segundo a companhia, as linhas atuarão com a frota total durante todo o dia. O alerta é que o plano operacional pode ser alterado ao longo do dia de acordo com a necessidade e número de linhas afetadas pela paralisação.

Prejuízo. O ajudante de pedreiro Marcos Avelino, de 43 anos, e o operador de máquinas Uanderson Vieira, de 21, aguardavam informações sobre a retomada do serviço nesta manhã na estação Jabaquara, na zona sul de São Paulo. Avelino seguiria para Guarulhos e Vieira para Perus. "Não tenho como pegar ônibus. Me atrasaria muito. Então, só me resta esperar. Ease movimento prejudica o trabalhador também", disse Avelino, que costuma pegar o transporte àa 4h50 diariamente. 

O operador de trem e diretor da Federação Nacional dos Metroviários, Felipe Guarnieri, dava explicações aos passageiros nas primeiras horas da manhã na estação Jabaquara. "Hoje é um dia de protesto contra as privatizações. Estamos alertando que há um jogo de cartas marcadas, com grande prejuízo à população", disse. Sobre o plano de contingência, ele classificou como um "risco à população". "São os chefes que realizam sem o devido cuidado com a segurança do passageiro." 

Em nota, o Metrô disse lamentar a decisão de greve, "que irá prejudicar o transporte de mais de 4 milhões de usuários, bem como os próprios metroviários e a Companhia". "Liminares obtidas na Justiça determinam que os metroviários mantenham a prestação de serviços, sob pena de multas acima de R$ 100 mil. O Metrô vai acionar seu plano de contingência para garantir o serviço essencial de transporte metroviário para a população de São Paulo, conforme a legislação", disse em nota. 

Operação parcial. Às 6h20, o Metrô informou que iniciou operação parcial em trechos da Linha 1 (Paraíso-Luz), 2 (Paraíso-Clínicas) e 3 (Bresser-Mooca-Marechal Deodoro). Às 7h, mais trechos passaram a operar. Na Linha 1-Azul, os trechos disponíveis são Ana Rosa-Luz. Na 2-Verde, os trens funcionam parcialmente entre Paraíso e Vila Madalena e na Linha-5 Lilás, de Capão Redondo até Adolfo Pinheiro. 

A reportagem do Estado chegou a embarcar na estação Paraíso, na Zona Sul, e seguiu até a Luz, no Centro, em um trajeto que durou dez minutos, na manhã desta quinta. Os trens circulam com velocidade reduzida e maior tempo de parada, mas um número reduzido de passageiros procura o serviço.

A paralisação lotava as paradas de ônibus e deixavam os veículos com uma ocupação maior que o normal nas primeiras horas da manhã. O transporte era a alternativa para quem tentava chegar ao trabalho, mas nem todos enxergavam viabilidade. 

"Estou esperando aqui porque pegar ônibus não vale a pena para mim. Chegaria muito atrasado. Caso a estação não abra, vou voltar para casa", disse o encanador José Augusto Pereira, de 35 anos, que aguardava informações em frente à estação Jabaquara, na zona sul, e seguiria para a estação Belém, da linha 3-Vermelha.

Já para quem conseguiu chegar ao trabalho, a preocupação era como voltar depois do expediente. "Como vou entrar mais de duas horas depois hoje, que horas vou sair do serviço?", indagou a balconista Doraci Roque Barbosa, de 27 anos. 

Apesar do problema gerado pela paralisação,o instalador de mármore Luís Carlos Santos Pires, de 43 anos, apoiou os metroviários quando eles falaram que o protesto desta quinta também mirava o aumento da tarifa do transporte para R$ 4. "O aumento complica a vida de muita gente, mexe com o orçamento, não é bom", disse Pires, que tentava chegar à estação Marechal Teodoro.

Opções. Devido à paralisação dos metroviários, a Companhia Paulista de Trens Metropolitanos (CPTM) reforçou a operação a partir das 4h para atender ao possível aumento da demanda de passageiros. 

O horário de pico no período da manhã, das 5h às 8h, será estendido em todas as linhas até que a demanda dos passageiros diminua. A mesma estratégia será adotada no período da tarde, entre 17h e 20h , caso os metroviários não retornem com o serviço. 

A CPTM vai solicitar à São Paulo Transporte (SPTrans) a alteração do itinerário dos ônibus com destino à estação Corinthians-Itaquera a fim de redistribuir os coletivos nas demais estações.

A estação Corinthians-Itaquera da Linha 11-Coral permanecerá fechada para embarque e desembarque e voltará ao funcionamento normal depois que a companhia verificar a capacidade de atendimento. A operação da Linha 7-Rubi, entre Luz e Francisco Morato, será estendida até a estação Brás para facilitar a transferência na região central.

Encontrou algum erro? Entre em contato

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.