Evelson de Freitas/Estadão
Evelson de Freitas/Estadão

Zona oeste lidera em lançamento de 'offices'

Região pacata e residencial concentrou 40% das novas unidades do setor em 12 meses

Nataly Costa - O Estado de S.Paulo,

26 de novembro de 2012 | 02h03

Com bairros pacatos e residenciais, a zona oeste de São Paulo liderou o ranking da construção de edifícios comerciais no último ano. Cerca de 40% dos lançamentos empresariais hoje se concentram em bairros como Pinheiros, Barra Funda, Perdizes, Pompeia e Vila Leopoldina. Os números são do Sindicato da Habitação de São Paulo (Secovi-SP), com dados da base da Empresa Brasileira de Estudos do Patrimônio (Embraesp). O período analisado é de setembro de 2011 a agosto deste ano.

Os "offices" se proliferam pela metrópole - Vitrine Offices, La Place Office, Perdizes Prime Office, Villa Offices, Soho Office, Upper Office. Foram 2.912 unidades comerciais lançadas na região, ante 2,1 mil na zona sul, que concentra áreas "business", como a região da Avenida Engenheiro Luís Carlos Berrini e da Brigadeiro Faria Lima.

Comodidade. Além da mudança urbanística nos bairros da região, que ganham mix maior de emprego e moradia, especialistas apontam para um fator comportamental: a procura cada vez maior pelo trabalho perto de casa. Para quem é dono do próprio negócio, consultório ou escritório, ter a opção de não se deslocar por São Paulo é um atrativo.

"Essa é uma tendência muito forte em uma cidade como São Paulo, onde o transporte público é deficitário. A ideia é se deslocar usando minimamente o carro", diz o urbanista Luiz Guilherme Rivera de Castro, professor da Faculdade de Arquitetura e Urbanismo do Mackenzie.

Moradora de Perdizes, a advogada Magda Muniz, de 59 anos, recentemente comprou duas salas comerciais no empreendimento La Place Office Perdizes. Pretende levar uma vida mais saudável e aposentar o carro. "Vou poder trabalhar a menos de seis quarteirões da minha casa. São dez minutos a pé", conta. "Era algo que faltava no bairro."

No limite. O lançamento de empreendimentos comerciais na zona oeste também tem a ver com o fato de muitos bairros já terem chegado a um limite de verticalização e, por lei, não poderem mais abrigar prédios residenciais. Na Vila Leopoldina e na Lapa, as construtoras usaram quase todo o estoque.

"Em algumas regiões, não se consegue melhorar o aproveitamento do terreno com prédio residencial, mas tem potencial construtivo para empresariais", conta Celso Petrucci, economista-chefe do Secovi-SP.

O diretor da Embraesp Luiz Paulo Pompéia diz que há superoferta de residenciais na cidade - enquanto eles não são vendidos, aposta-se nos comerciais até em áreas antes menos exploradas por essa categoria, como na zona oeste. "Lançou-se muito no ramo residencial entre 2010 e 2011, agora é preciso tempo para escoar", explica.

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