Filipe Araujo/AE - 27/2/2011
Filipe Araujo/AE - 27/2/2011

Zona oeste é a campeã de pontos de alagamento

Região teve 2.512 enchentes entre 1º de janeiro de 2004 e a noite de ontem, o equivalente a quase uma ocorrência por dia

Diego Zanchetta e Rodrigo Brancatelli, O Estado de S.Paulo

01 Março 2011 | 00h00

A zona oeste de São Paulo é a região que mais sofre com enchentes em toda a cidade. De acordo com dados compilados do Centro de Gerenciamento de Emergências (CGE), os distritos de Butantã, Pinheiros, Lapa, Barra Funda, Perdizes, Vila Leopoldina e Jaguaré tiveram 2.512 pontos de alagamentos entre 1.º de janeiro de 2004 e a noite de ontem. Isso equivale a quase uma ocorrência por dia em uma área de 128 km², menor do que o município de Itapecerica da Serra, na Grande São Paulo.

No total, o CGE registrou 8.027 pontos de alagamento em São Paulo desde 2004. Nesse ranking das inundações, a zona leste aparece em segundo lugar, com 2.214, seguida pela zona norte (987), zona sul (903), centro (863) e região sudeste (665). Essa tendência das regiões se mantém idêntica em todos os anos pesquisados no banco de dados do CGE - em 2011, por exemplo, a zona oeste já teve 275 enchentes, contra 205 da zona leste.

"Não é que chova mais ali, mas é que a drenagem das águas é insuficiente", diz o engenheiro civil Julio Cerqueira Cesar Neto, do Instituto de Engenharia (IE). "A galeria que deveria absorver o fluxo dos córregos e das chuvas não consegue dar conta do problema, e isso não é de hoje, ocorre há mais de 20 anos."

As duas principais intervenções planejadas pela Prefeitura para acabar com as enchentes na zona oeste seguem sem prazo para sair do papel. Um piscinão licitado por R$ 25 milhões e que poderia resolver as inundações na área entre a Rua Henrique Schaumann e a Marginal do Rio Pinheiros, segundo defende o governo, está barrado na Justiça pelos vizinhos contrários à obra.

Já as galerias de R$ 90 milhões projetadas para escoar até o Rio Tietê a água que sobe a cada chuva no balão da Praça Marrey Júnior, ao lado do Palmeiras, na Pompeia, só devem ficar prontas depois do verão de 2012.

Entraves. Nesse último caso, dinheiro em caixa não falta. A Operação Urbana Água Branca levou 19 empreendimentos e 14 mil moradores para a região desde 1995. Esses empreendimentos pagaram um total de R$ 87 milhões em contrapartidas aos cofres municipais. Mas três projetos anteriores, todos com previsão de construção de piscinões, foram abandonados por causa do alto custo das desapropriações. Um novo estudo de macrodrenagem para o bairro, que deve ficar pronto em abril, já apontou a troca das galerias soterradas ao longo das Avenidas Sumaré e Pompeia como a solução mais eficaz (leia ao lado).

O problema na Vila Madalena é parecido com o da Pompeia. Localizado ao lado da várzea do Rio Pinheiros, o bairro hoje famoso pelos bares era praticamente um brejo até os anos 1940. Com a urbanização, dezenas de córregos foram soterrados a partir de 1960. A impermeabilização desordenada tem seu efeito mais visível nas crateras que se abrem a cada chuva, resultado da erosão do solo causado pelos córregos que transbordam das galerias velhas.

O piscinão planejado pela Prefeitura em Pinheiros também teria reflexos positivos contra as inundações na Vila Madalena, de acordo com os técnicos do governo. Mas moradores da Jardim das Bandeiras moveram uma ação contra a obra e conseguiram barrá-la na Justiça. Segundo os moradores, o piscinão é uma solução simplista e de forte impacto urbanístico. Eles defendem a reforma das galerias pluviais do bairro, da mesma forma como a Prefeitura planeja agora para a Pompeia.

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