Zona norte da capital vira foco da violência e registra oito mortes à noite

Na Brasilândia, bandidos esvaziam e dominam ônibus, perdem controle, atropelam e matam pedestre. Outros ataques têm sete mortos

ARTUR RODRIGUES , CAMILA BRUNELLI, WILLIAM CARDOSO, O Estado de S.Paulo

07 de novembro de 2012 | 02h01

A guerra não declarada entre integrantes do Primeiro Comando da Capital (PCC) e a Polícia Militar teve como principal foco anteontem a zona norte. A região foi palco de uma noite sangrenta, com oito mortes em cerca de 5 horas, além de cinco ônibus atacados e toque de recolher na Vila Brasilândia. Os crimes aconteceram perto de onde foi assassinada a soldado Marta Umbelina da Silva, na noite de sábado.

A onda de violência começou no início da noite, quando ônibus passaram a ser atacados perto da Avenida Deputado Cantídio Sampaio. Em um dos casos, na Rua Santa Cruz da Conceição, os vândalos obrigaram todos os ocupantes a descer. Eles dominaram o volante e perderam o controle do veículo, que desceu uma ladeira e atropelou três pessoas. Uma delas morreu no local (veja ao lado).

Cerca de 40 minutos depois e a cem metros do local do ataque ao ônibus, que ainda estava cercado de policiais, três jovens foram baleados. O ajudante Luís Ricardo Romão, de 25 anos, ferido com tiros na barriga e no peito, e o instalador Carlos Eduardo Oliveira Santos, de 20, com tiros na barriga, no peito e na cabeça, foram socorridos, mas chegaram mortos ao hospital. Um terceiro rapaz, de 17 anos, estava internado até as 20h de ontem.

Segundo parentes e amigos, eles não tinham envolvimento com o crime - Silva, filho de uma gerente de banco, havia acabado de se matricular no curso de Administração de Empresas e voltava da academia quando foi assassinado. Assim como as outras pessoas, estaria ali acompanhando a movimentação por curiosidade. Já Romão, segundo a polícia, tinha antecedentes por roubo e furto.

Segundo testemunhas, os atiradores estavam em um Celta prata e saíram tranquilamente do local após terem efetuado os disparos, sem demonstrarem temor de ser perseguidos.

O Estado presenciou ontem uma abordagem da PM a familiares e amigos dos rapazes assassinados, na Rua Manoel Nascimento Pinto, poucos antes de seguirem para o velório. Eles vestiam camisetas homenageando os colegas. Policiais que participaram da ação, uma delas com uma submetralhadora, abordaram o grupo gritando para colocarem as mãos na parede. Em seguida, os jovens foram revistados.

Chacina. Na Vila Carumbé, uma dupla em uma moto atirou em frequentadores de um bar à 1h. Eles mataram Rodrigo Marcos Silva Vieira, de 22 anos, Renato Parreira de Amorim, de 24, Marcelo Gomes, de 16, e William Machado, de 13. Perto da Vila Nova Cachoeirinha, três homens foram baleados e um deles, filho de um ex-PM, morreu.

A Vila Brasilândia é patrulhada por policiais do 18.º Batalhão, uma unidade cujos homens foram alvo de denúncias de envolvimento em grupos de extermínio - um deles assassinou o comandante da PM na zona norte, o coronel José Hermínio Rodrigues, crime ocorrido em 2008.

Zona leste. Às 22h de ontem, um delegado do 57.º DP (Parque da Mooca) foi baleado na Penha, também na zona leste. Ferido no ombro direito, ele conseguiu dirigir até a 3.ª Companhia do 51.º BPM para pedir socorro. De lá, foi levado ao Pronto-Socorro do Hospital do Tatuapé. Ele disse aos policiais queacreditava estar sendo seguido pelos criminosos.

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