Zona leste é líder em atraso de ônibus

Levantamento da SPTrans mostra que, na média, 15% dos coletivos não saem no horário

O Estado de S.Paulo

11 de maio de 2012 | 03h02

Levantamento da São Paulo Transportes (SPTrans), que gerencia a frota de ônibus municipais da capital, mostra que, na média, 15% dos coletivos que deveriam circular pelo Município não saem das garagens na hora certa. Quem mais descumpre os horários de partida são os da zona leste, em bairros como Itaquera, Cidade Tiradentes e, principalmente, São Mateus. Na média, ali só 7 em cada 10 partidas são realizadas na hora.

A saída de um ônibus fora do horário significa mais demora. "O descumprimento de partidas prejudica a operação e aumenta o número de passageiros por veículo, além do tempo de espera no ponto", diz a própria SPTrans, em nota. Para fazer o índice, a empresa calcula a relação entre as partidas programadas dos ônibus e as efetivamente realizadas. Os indicadores vão de 2009 a 2011.

Nos três anos, a região noroeste (Área 1 do esquema de concessão das linhas da SPTrans) teve a melhor média de partidas cumpridas, 88,75%. O destaque são os ônibus da Viação Gato Preto, de Perus, que cumpriu horário, na média, em 92% das viagens.

No outro extremo da tabela estão os coletivos da cooperativa Transcooper, em São Mateus, que só coloca um ônibus para circular no horário a cada duas partidas previstas. Mas vale destacar que a empresa é a que mais melhorou. Em 2009, apenas 33% das partidas eram feitas na hora. No ano passado, foram 66%.

Itaquera. O bairro que será sede da Copa do Mundo de 2014 é o que mais piorou no índice da pontualidade. Em 2009, o porcentual era de 112% - mais ônibus do que o programado circulavam pelas linhas. No ano passado, o índice caiu para 89%.

Mas quem anda nas linhas do bairro diz que a percepção é bem diferente dos índices. Ontem, às 16h21, a reportagem acompanhou a moradora de Cidade Tiradentes Rosemarie Tavares, de 38 anos, que trabalha no Ipiranga, zona sul. Ela esperou 52 minutos para conseguir embarcar em um coletivo. "Não me canso no trabalho. O que me cansa é essa espera", reclamou.

O promotor público Saad Mazloum, que acompanha o cumprimento dos contratos de transporte público de São Paulo e já chegou até a conseguir o bloqueio de bens de empresas que prestavam serviço inadequado, também diz que a realidade na cidade é bem diferente. "Há linhas que não cumprem 50% das saídas previstas."

O professor do Departamento de Engenharia de Transportes da USP Claudio Barbieri Cunha afirma que o tempo que o passageiro espera pelo transporte é um dos principais fatores na hora de o cidadão escolher que tipo de meio de transporte usar. "Se demorar muito, pode-se preferir o carro, com mais gastos."

"Satisfatório". O Sindicato das Empresas de Transporte de Passageiros Urbanos da Cidade de São Paulo (SP-Urbanuss) disse, em nota, que considera os índices "satisfatórios para uma cidade que tem poucos corredores exclusivos de ônibus e baixa velocidade comercial".

Já a SPTrans diz que fiscaliza os atrasos e multa as empresas. "Entre 2010 e 2011, o número de multas por descumprimento de partidas e não atender ao sinal de parada teve um acréscimo de 17%, passando de 49.239 para 57.508 multas." / ARTUR RODRIGUES, BRUNO RIBEIRO, NATALY COSTA e JULIANA DEODORO

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