André Lessa/Estadão (19/10/2012)
André Lessa/Estadão (19/10/2012)

Zona Azul em São Paulo aumenta de R$ 3 para R$ 5

Preço do estacionamento rotativo na capital paulista sofreu aumento de 67%; já o talão de 10 folhas, 60,71%, de R$ 28 para R$ 45

O Estado de S. Paulo

22 Julho 2014 | 08h03

Atualizada às 18h12

SÃO PAULO - Estacionar o carro custará mais caro no próximo mês. O preço atual de uma folha de estacionamento da Zona Azul vai subir de R$ 3 para R$ 5 a partir de 1º de agosto deste ano, valor maior que o da inflação desde o último aumento. O talão de 10 folhas sofrerá um aumento de 60,7%, de R$ 28 para R$ 45.

O novo valor unitário, 67% maior, corresponde a mais que o dobro da inflação acumulada entre outubro de 2009, data do último reajuste, até junho deste ano, com IPCA acumulado de 32,57%. Se apenas este índice fosse considerado, o acréscimo por folha seria um real mais barato.

O anúncio feito pela Companhia de Engenharia de Tráfego (CET) aponta que o último reajuste havia sido feito em 2009, quando o talão passou de R$ 18 para R$ 28, aumento de 55,6%. Segundo a companhia, o valor que recomporia o índice inflacionário deveria  ter sido de R$ 34,15, mas a Prefeitura optou pelo valor mais baixo, compensado agora. Anterior a esta, a última elevação de preço ocorreu em maio de 2001.

A medida está inserida em uma série de atuações do poder público municipal para incentivar o uso do transporte público e restringir a circulação dos carros no município.  

Para o engenheiro da Poli-USP Mauro Zilbovicius, se o reajuste tiver como intenção a mudança de cultura para o transporte público, o resultado é inócuo. "É uma despesa a mais que não vai influenciar, eu acredito, por causa da demanda. As pessoas vão continuar usando", disse.

Ele ainda acredita que não deveria haver Zona Azul em alguns pontos de grande fluidez da cidade, como a Rua Teodoro Sampaio. "É um corredor tanto de ônibus como de automóvel, ou seja, uma via de ligação importante do bairro de Pinheiros, da Marginal até a (avenida) Paulista. O especialista argumenta que as vagas de estacionamento poderiam estar só nas transversais, mas que as demandas dos comerciantes sobre o poder público influenciam a decisão da CET. "O resultado do trânsito também é fluxo de pressões da própria cidade", afirmou.

De acordo com o urbanista e consultor de trânsito e transporte Flamínio Fichmann, o aumento precisa vir com reformas na política dos estacionamentos. "Temos uma oferta de estacionamento em vias públicas simplesmente para justificar a arrecadação da Zona Azul. Existe quantidade enorme de vagas dispostas em locais em que o trânsito está saturado. É um enfoque inadequado a gente achar que estocar carro em via pública é melhor do que utilizá-la para o tráfego de outros automóveis".

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