André Lessa (19/10/2012)/Estadão
André Lessa (19/10/2012)/Estadão

Zona Azul comprada a R$ 3 valerá até dezembro

Venda se acelera; em casa lotérica localizada na zona oeste de São Paulo, todos os talões já haviam sido vendidos

Luiz Fernando Toledo, O Estado de São Paulo

24 Julho 2014 | 08h58

SÃO PAULO - Os motoristas poderão utilizar até 31 de dezembro as folhas de Zona Azul compradas ao preço de R$ 3 a hora, segundo informou a Companhia de Engenharia de Tráfego (CET). A partir de 1º de agosto, a permissão para estacionar na rua ficará 67% mais cara. A CET reajustou o valor da unidade para R$ 5 a partir de 1º de agosto. O preço do talão passará de R$ 28 para R$ 45.

Desde o anúncio do aumento, o movimento nos postos oficiais de venda da CET aumentou. A reportagem visitou alguns deles na tarde de ontem. Em uma casa lotérica localizada na Rua Barra Funda, zona oeste de São Paulo, todos os talões haviam sido vendidos. "Teve um que levou três talões de uma vez só", contou um dos vendedores. Na Rua Rego Freitas, em Santa Cecília, região central, a venda chegou a triplicar. Um comerciante de uma banca de jornal credenciada afirmou que vendeu nesta quarta-feira, 23, o equivalente a três dias: 25 talões. Outros pontos no centro relataram situações semelhantes.

No mercado informal, a alta também já teve impacto. Um flanelinha que conta trabalhar há dez anos na região do Largo do Arouche, centro, e se identificou apenas como "Zé", disse que vendia a unidade a R$ 4. Depois do anúncio, adiantou o valor para R$ 5 e já estuda se cobrará R$ 6 ou R$ 7 a partir de agosto. "Estão procurando pra comprar de talão. O preço tá demais", afirmou. Na mesma região, dois estacionamentos particulares cobram R$ 10 pela primeira hora e R$ 12 por duas. A diária varia emtre R$ 15 e R$ 35.

Modernização tem novo obstáculo. A mudança das folhas da Zona Azul para o sistema de parquímetro, já adotado em outras regiões do estado de São Paulo e em metrópoles como Londres e Amsterdã, tem outro motivo para atrasar o lançamento de edital de concessão. Segundo informou a CET, a intensificação de implementação de ciclovias na cidade - o objetivo é chegar a 400 km até o final de 2015 - tem provocado modificações nos espaços destinados à Zona Azul, fator também considerado no processo. A licitação, segundo a companhia, ainda está em fase de definição do modelo de concessão a ser empregado. 

O edital foi prometido para fevereiro deste ano, mas precisou ser adiado. O secretário municipal dos Transportes, Jilmar Tatto, havia afirmado em janeiro que espera iniciar o projeto ainda em 2014. O novo sistema permitirá ao motorista reservar a vaga na rua antes de sair de casa, além de visualização de vagas nas ruas em tempo real, tudo com o uso de um aplicativo para smartphones. O pagamento será feito com o Bilhete Único. 

Há expectativas de que, com a ação, acabe a ação dos flanelinhas e as fraudes no serviço, além de ampliar a rotatividade de vagas. A Secretaria Municipal dos Transportes também espera ampliar o faturamento da Zona Azul, com maior aproveitamento do equipamento.

Não é a primeira vez que a secretaria estuda modelos digitais para a Zona Azul. Há 16 anos, falava-se em parquímetros que receberiam "cartões magnéticos recarregáveis e moedas" para funcionar. Havia 24 mil vagas de Zona Azul naquela época.  Hoje são 38.954, a maioria delas na zona sul e no centro. 

Em 2005, o mesmo órgão falava em um sistema misto, em que "numa região poderá haver parquímetro, enquanto em outra o motorista poderá comprar a Zona Azul antecipadamente por meio de um bilhete inteligente". 

Anterior à gestão de Haddad, a última tentativa ocorreu em 2013, no fim da gestão de Gilberto Kassab (PSD), quando cinco empresas poderiam começar a testar a tecnologia.

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