Arquivo pessoal
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Zelador é suspeito de matar jovem na zona oeste de São Paulo

Segundo testemunhas, o suspeito fugiu em um carro popular; de acordo com a PM, a suspeita é de crime passional

Juliana Diógenes, O Estado de S. Paulo

09 Abril 2015 | 15h59

Atualizada às 19h06

SÃO PAULO - O zelador de um edifício na Rua Apinajés, em Perdizes, na zona oeste de São Paulo, é suspeito de ter atirado contra um homem na tarde desta quinta-feira, 9. Francisco da Costa, que estava em serviço, teria baleado o autônomo Júlio César Galvão, de 25 anos, que estava em uma motocicleta. A vítima foi socorrida e levada para o pronto-socorro do Hospital das Clínicas, mas não resistiu aos ferimentos e morreu, de acordo com familiares. O suspeito está foragido. 

A polícia solicitou imagens de câmeras de segurança dos edifícios da Rua Apinajés. Segundo testemunhas, o zelador fugiu em um carro popular de cor prata. De acordo com a tenente Aline Francisquini, a suspeita é de crime passional. Segundo a PM, a vítima estava em uma moto acompanhada da esposa, Kátia Gonçalves, de 28 anos, e teria discutido com o zelador, que saiu correndo em direção ao cruzamento com a Rua Vanderlei. 

Segundo a PM, Kátia trabalhava em uma loja de materiais de construção próximo ao local de trabalho do zelador. De acordo com amigos do casal, que estava junto há sete anos , Costa "mexia" com Kátia há meses, o que teria motivado a vítima a ir até a Rua Apinajés para conversar com o zelador. 


O delegado titular do 23°DP, Lupércio Antônio Dimov, disse que o inquérito policial foi aberto e, nesta sexta, pedirá a prisão preventiva de Costa. O zelador será acusado de homicídio duplamente qualificado por motivo torpe. Francisco tem 31 anos e é paraibano. Para Dimov, o crime foi premeditado, já que o zelador portava uma arma no momento da discussão. "Segundo a esposa de Júlio, ela trabalhava em uma loja de material de construção e estava sendo assediada pelo acusado, que mandava mensagens", disse o delegado. Uma equipe da Polícia foi designada especificamente para este caso.

A polícia conversou com o síndico do prédio onde Costa trabalhava. Ele teria dito que o zelador estava sendo ameaçado por Júlio César há alguns dias. Na tentativa de evitar conflito entre os dois, o síndico teria então oferecido férias a Costa, segundo a delegada plantonista do 23°DP, Gabriela Barchin Crema.

De acordo com a assistente administrativa Valquíria Muniz, de 46 anos, que é amiga do casal, a família da vítima está acusando Kátia de ter se envolvido com o zelador. Ainda segundo Valquíria, o suspeito atirou oito vezes e dois tiros acertaram o motoboy. O casal tinha uma filha de 1 ano de 11 meses, que, segundo familiares, era "muito apegada" ao pai.  

Família. Segundo a mãe de Kátia, a babá Iomar Gonçalves Queiroz, de 48 anos, o zelador fazia "piadinhas" com a filha. "Ela ficava incomodada com a presença dele na loja (de materiais de construção) e comentou com o Júlio César. Estou sofrendo muito porque ele não era um genro pra mim, era um filho. Uma pessoa maravilhosa", disse.

No 23ºDP, Katia conversou com amigos e familiares por telefone e disse que o marido foi ao edifício onde o zelador trabalha "só conversar". "A gente viajou no fim de semana passado. Estávamos muito bem, muito bem mesmo", afirmou, descartando a hipótese de crise na relação. 

A mulher afirmou ainda que correu ao ver que Francisco da Costa havia sacado uma arma e se escondeu no fundo de um restaurante. Quando os tiros cessaram e Kátia saiu do estabelecimento à procura do marido, o encontrou já caído no chão. 

De acordo com o síndico do prédio, conhecido por Donil, o zelador trabalhava há 6 anos no local. Francisco tinha uma filha de 12 anos e era casado. A mulher presta depoimento na delegacia. Segundo Donil, minutos antes de disparar os tiros, Júlio César teria ameaçado de morte a mulher e a filha do zelador. 

Zelador. O fotógrafo Manoel Carvalho, de 49 anos, que tem um estúdio em frente ao local do crime, disse que o suspeito era conhecido dos moradores da região. "Ele já tinha feito serviços hidráulicos aqui no estúdio e era um homem acima de qualquer suspeita", disse. "Ele era super caprichoso. No meu estúdio, fez um serviço muito bem prestado". 

Carvalho contou ainda que uma funcionária do estúdio viu o zelador correndo armado. "Pensei: 'não é possível'. Foi uma coisa trágica. Achei que o Chico tinha saído correndo para ajudar. Vi a vitima caída no chão, na esquina. Ele levou um tiro entre o olho e a testa", contou. 

O cirurgião dentista Rui Ariovaldo Lessi, de 79 anos, estava em um carro parado no semáforo do cruzamento da ocorrência. Lessi levava a filha no banco do passageiro e o neto vinha atrás. Segundo ele, um dos tiros disparados pelo zelador atingiu a janela do passageiro do carro e se alojou no banco do motorista. Nenhum dos três se machucou. "Ouvi o vidro estourar a janela e fui embora. Nem cheguei a ouvir o tiro, só vi o vidro se estilhaçando. Mas a minha filha falou para eu ir embora e arranquei. Algumas horas depois, voltei na região para conversar com os policiais e saber o que podia ser feito". 

Nicole Benigna, atendente de um restaurante árabe na rua disse que houve correria durante o crime. "Ele usava uma camisa rosa e saiu do prédio. Deu um tiro no peito e o rapaz não caiu. Depois, acertou no rosto, e aí a vítima caiu. Tentou atirar mais e a só não conseguiu porque não tinha mais bala. Saiu em um carro lacrado (fechado)". 

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