'Zé Pequeno', de 12 anos, é detido novamente em São Paulo

Na apreensão ele estava com um adolescente, de cerca de 15 anos; os dois são acusados de roubo de veículo

Daniela do Canto, da Central de Notícias

22 de outubro de 2009 | 09h17

O menor R., de 12 anos, foi detido ao volante de um táxi roubado na zona sul de São Paulo na noite desta quarta-feira, 22. Ele estava acompanhado de um adolescente, de cerca de 15 anos, que também foi apreendido. Os dois são acusados de participarem do roubo do veículo, praticado à mão armada, minutos antes. R. tem pelo menos outras três passagens pela polícia. Na Favela Palmares, onde mora, ele é conhecido pelo apelido de Zé Pequeno, uma referência ao personagem retratado no filme Cidade de Deus, que comete crimes desde a infância.

Em uma das cerca de dez viaturas participantes do cerco que resultou na prisão de R. estava o soldado Jerrival Almeida Souza, o mesmo que já deteve o menor duas outras vezes. "Quando ele (R.) me viu, só abaixou a cabeça. Eu falei: 'outra vez!' e ele respondeu: 'ah, é assim mesmo', e daí não falou mais nada", relatou o policial. A vítima do roubo, um taxista de 59 anos que pediu para não ser identificado, contou que esperava um cliente na frente de um prédio comercial na Avenida João Pedro Cardoso, no Parque Jabaquara, quando foi abordada por cinco menores, às 21 horas. "Eles passaram uma, duas vezes, de repente vieram dois na minha janela e os outros ficaram do outro lado".

Os menores ordenaram que o taxista descesse do carro, um Volkswagen Fox. Ele decidiu reagir e empurrou dois dos meninos com a porta do carro. Os outros, então, foram defender os companheiros. Um deles - que segundo a vítima aparentava ser o mais velho, de 16 anos - estava armado com um revólver, provavelmente calibre 32. "Só então eu vi que tinha uma arma. Se eles não estivessem armados, eu dava um pau nos cinco", afirmou o taxista. "Era um bando de crianças, não imaginei que fosse assalto, só quando vi a arma apontada para a minha cabeça que percebi", completou.

Logo em seguida, os menores entraram no carro - onde estavam a carteira e o celular do taxista - e fugiram. Na Rua Tamoios, policiais da 1ª Companhia do 12º Batalhão da Polícia Militar se depararam com o táxi, ocupado pelos dois menores apreendidos. Ao verem a viatura, eles tentaram fugir. Durante a fuga, ele bateram o carro contra um motoqueiro, que foi embora do local. Na Rua Carlos Pinto Alves o Fox apresentou problemas no câmbio e parou. Neste momento, por volta das 21h15, os menores foram detidos. Os pertences do taxista foram recuperados dentro do carro.

"A arrancada que ele (R.) deu é de adulto, mas acho que ele não conseguia trocar de marcha para andar com mais velocidade, e aí o carro acabou parando", avaliou o soldado Josemar Campos. Para dirigir e alcançar os pedais do carro, R., que mede cerca de 1,20 metro, coloca o banco o mais próximo possível do volante do veículo.

Decepção

O soldado Jerrival confessou ter se sentido decepcionado ao flagrar R. em um ato infracional mais uma vez. "Eu encontrei ele (o menor) lá na área onde ele mora umas três vezes, a gente conversou, ele disse: 'agora eu tô de boa' e eu até estava botando uma fé nisso, porque ele estava separado dos outros que andava antes", disse o policial. Segundo a PM, a mãe do menor está presa por roubo.

Até o final da madrugada desta quinta-feira, 22, nenhum parente dos dois menores apreendidos havia comparecido ao 27º Distrito Policial (Campo Belo), onde o caso foi registrado, para buscá-los. Durante o dia, eles podem ser encaminhados à Fundação Casa (antiga Febem). Os outros três menores que participaram do roubo ainda não foram localizados.

Para registrar o boletim de ocorrência, o taxista vítima do roubo, que chegou por volta das 21h30 à delegacia, teve de permanecer no local até as 3 horas. "O pior é que estou trabalhando desde as 5 horas da manhã", lamentou ele. Esta foi a sexta vez em que o taxista foi assaltado em 12 anos de profissão. "Já fui roubado por motoqueiro, por ladrão que se passava por cliente, mas por crianças nunca", disse.

Outras passagens

No último dia 24 de junho, R. foi flagrado pelo soldado Jerrival enquanto dirigia um Astra furtado no Jardim Brasil, zona sul. Ele estava acompanhado por três amigos, de 13, 14 e 15 anos. Conforme a polícia, os quatro menores furtaram o carro no final da noite anterior de uma concessionária da zona sul. Jerrival estava de folga quando deteve R. e os colegas, por volta das 23h30, na Rua Lacedemônia.

Os menores foram capturados depois de uma breve perseguição e levados ao 36º DP (Paraíso). Daquela vez, R. foi liberado mediante a presença de uma mulher que se identificou como sua tia, sob a condição de que se apresentasse ao juiz em uma data marcada. Depois da apreensão, o muro da frente da casa de R. foi pichado com o primeiro nome do garoto, seguido das palavras "chapa quente".

Menos de uma semana depois, R. foi apreendido novamente, acusado de furtar oito pacotes de meia avaliados em R$ 93 do Carrefour Brooklin, localizado na Avenida Santo Amaro, zona sul de São Paulo, na noite do dia 29. Por coincidência, R. foi levado ao 27º Distrito Policial (Campo Belo) pela viatura do soldado Jerrival.

Uma mulher que se identificou como tia do menor esteve no 27ºDP, mas não apresentou documentos que comprovassem o parentesco. Depois do registro do ato infracional na delegacia, R. foi levado ao Instituto Médico Legal (IML), onde passou por um exame de corpo de delito. Em seguida, foi encaminhado à Unidade de Atendimento Inicial (UAI) da Fundação Casa, para esperar uma decisão da Vara da infância e da Juventude sobre o seu destino. Segundo a polícia, R. ainda roubou R$ 5,50 de uma pessoa em um shopping no último mês de maio, simulando estar armado.

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