Xangai: metrô quatro vezes maior

A Exposição Mundial de 2010 e a Olimpíada de 2008 foram megaeventos usados pelo governo chinês para transformar a infraestrutura urbana das duas maiores cidades do país, Xangai e Pequim, nas quais vivem algo em torno de 40 milhões de pessoas. Bilhões de dólares foram destinados à construção de metrô, aeroportos, ruas, viadutos, parques, pontes e túneis, que se incorporaram de maneira definitiva à paisagem. De todas as obras, a que mais impressiona pelo impacto na vida das pessoas é o metrô de Xangai, cuja extensão quadruplicou entre 2003 e 2010 e alcançou 420 km - seis vezes mais que os 65,3 km de São Paulo.

Cláudia Trevisan, O Estado de S.Paulo

20 Setembro 2010 | 00h00

Centro financeiro da China e cartão-postal da emergência econômica do país, Xangai foi escolhida em 2002 para a Expo 2010, que começou em 1.º de maio e terminará em 31 de outubro. Nos sete anos seguintes, a cidade acelerou os investimentos em infraestrutura urbana, que somaram US$ 115,4 bilhões no período 2003-2009. O valor equivale a R$ 203 bilhões -40% dos R$ 504 bilhões previstos no Programa de Aceleração do Crescimento (PAC) para obras em todo o Brasil entre 2007 e 2010.

Esses recursos foram aplicados não apenas em projetos relacionados à Expo 2010, mas o evento promoveu a concentração de inúmeras obras em um curto espaço de tempo, com o objetivo de preparar a cidade para receber os 70 milhões de visitantes esperados pela feira. Graças a um investimento de US$ 2,2 bilhões, o aeroporto de Hongqiao ganhou novo terminal, o que elevou sua capacidade anual de 25 milhões para 40 milhões de passageiros - o Aeroporto de Congonhas recebe 14,5 milhões de pessoas. O município também aumentou o número de pontes, túneis, vias elevadas e áreas verdes.

Pequim investiu US$ 41 bilhões entre 2001 e 2008 na contagem regressiva para a Olimpíada. O metrô quase dobrou de tamanho - para 228 km - e a cidade ganhou ícones, como o Terminal 3 do aeroporto, projetado pelo inglês Norman Foster. A obra custou US$ 3,8 bilhões e é o maior edifício do mundo, com 986 mil m² de área. O que permitiu que as duas cidades se transformassem em pouco tempo foi a grande capacidade de investimento da China, aliada à tradição do planejamento de longo prazo.

Planejamento. Pequim e Xangai possuem museus imensos dedicados exclusivamente ao seu planejamento, nos quais há maquetes mostrando como as cidades serão em 2020 - os prédios que ainda serão construídos aparecem em material branco ou transparente. Os distritos nos quais as cidades se dividem são objeto de mostras específicas, que discutem sua vocação, seu futuro e sua integração com o restante da área urbana.

A maquete de Xangai é provavelmente a maior do tipo no mundo, com uma extensão de 800 m², algo como duas quadras de basquete. Inaugurada em 2000 com o museu, a maquete já trazia o modelo do World Financial Center, o prédio mais alto da China e o segundo mais alto do mundo, com 101 andares e concluído em 2008. Lá também está o edifício que deverá ultrapassá-lo em 2014, a Shanghai Tower, que terá impressionantes 121 andares.

Mesmo após os megaeventos, a infraestrutura das duas cidades continua a se expandir em ritmo vertiginoso. Com a crise econômica de 2008, o Partido Comunista ordenou que as cidades e províncias do país pisassem no acelerador e encurtassem prazos de conclusão de obras públicas. O resultado é um desenvolvimento constante.

Pequim pretende inaugurar mais 333 km de linhas de metrô até 2015, o que elevará a extensão de sua rede para 561 km. Xangai já tem o maior metrô do mundo e pretende ampliá-lo dos atuais 420 km para 877 km até 2020. O planejamento é facilitado pelo regime autoritário e pelo fato de que a terra urbana na China é de propriedade do Estado. As empresas e famílias ganham direito de utilizá-la por período determinado, depois do qual se espera que a autorização seja renovada. Isso permite que o governo decida com grande antecedência o que será realizado em cada local e tenha poder para retirar moradores de extensas áreas em tempo recorde, nem sempre pagando indenizações consideradas razoáveis.

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