'Winter Sleep', de Nuri Bilge Ceylan, ganha Palma de Ouro

Festival de Cannes também premiou Juliane Moore como melhor atriz e Timothy Spall como melhor ator

LUIZ CARLOS MERTEN, ENVIADO ESPECIAL / CANNES, O Estado de S.Paulo

25 Maio 2014 | 02h02

Jane Campion e seu júri fizeram uma distribuição justa dos prêmios do 67.º Festival de Cannes. Esqueceram os irmãos Dardenne, mas eles, afinal, já ganharam duas Palmas de Ouro. Se houve injustiça, não foi com eles, mas com a magnífica atriz de Dois Dias e Uma Noite, Marion Cotillard. O júri preferiu atribuir o prêmio de interpretação feminina a Julianne Moore, por Maps of the Stars, de David Cronenberg, no qual ela é coadjuvante (ótima). A Palma de Ouro do melhor filme foi para o turco Nuri Bilge Ceylan, que na sexta-feira já recebera o premio Fipresci, da crítica, também por Winter Sleep.

Houve perdedores, claro, mas como Jean-Pierre e Luc Dardenne, Ken Loach já ganhou um monte de prêmios no festival. Jimmy's Hall mereceria mais um, ou uns, mas a glória de Loach não fica menor. A japonesa Naomi Kawase também não levou nada, e era uma das favoritas. Seu filme Still the Water poderia ajudar a presidente Jane Campion a reparar uma injustiça. Em quase 70 anos de Festival de Cannes, ela permanece como única mulher a ganhar a Palma de Ouro, por O Piano. Poderia ter feito justiça com quem também merecia o prêmio.

Timothy Spall foi o melhor ator, por Mr. Turner, de Mike Leigh. Sua recriação do grande pintor permite que o filme, como o de Nuri Bilge, discuta o intelectual no mundo. O ex-ator de Winter Sleep virou cronista. Pensa o mundo e o teatro. Mr. Turner bate-se com a academia de seu tempo para fazer uma nova pintura.

O júri dividiu seu prêmio entre os dois filmes mais inovadores. O formato quadrado de Xavier Dolan em Mommy, o 3-D de Jean-Luc Godard em Adieu au Langage. Ninguém ousou mais que eles. O mais velho concorrente, Godard, com 83 anos. O mais jovem, Dolan, com 25. O último liderava as apostas para a Palma. Não foi desta vez.

Se não deu a Palma para Kawase, o júri deu seu Grand Prix para a italiana Alice Rohrwacher, por Le Meraviglie. E o prêmio de roteiro foi para o russo Andrei Zvyangtsev, em Leviathan. Foram escolhas coerentes.

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