Windsor: outro cinema fechado no centro de SP

Aberto em 1961 com colunas de mármore e tapete vermelho, espaço exibia há 30 anos filmes pornôs

O Estado de S.Paulo

09 Julho 2012 | 03h04

São Paulo perdeu mais um cinema de rua. O Cine Windsor, inaugurado em 1961 na Avenida Ipiranga, 974, no centro, fechou as portas no fim da noite de sábado. O último filme exibido foi, curiosamente, Coisas Eróticas, o primeiro pornô brasileiro. A estreia da película, vista por 4,7 milhões de pessoas, aconteceu justamente no Windsor, em 7 de julho de 1982.

Também foi apresentado no sábado o documentário A Primeira Vez do Cinema Brasileiro, que conta a história da inclusão da pornografia nos títulos nacionais. Cerca de 300 pessoas acompanharam o evento final do Windsor anteontem, entre elas atores e diretores da "Boca do Lixo", nome dado à região próxima à Luz, no centro, onde se concentravam os estúdios que produziam filmes nos anos 1980.

Ainda não se sabe qual destino será dado ao espaço ocupado pelo cinema. "Entramos em acordo com o proprietário do prédio e deixamos o local. Não sei o que pretendem fazer ali, mas acredito que não será outro cinema", afirma o jornalista Giscard Luccas, de 31 anos, diretor executivo da FJ Cines. A empresa - que ele mantém com o pai, Francisco Luccas - é responsável pelo Cine Dom José, na Rua Dom José de Barros, também no centro.

"Infelizmente era uma coisa que se esperava. Os cinemas de rua do centro estão sumindo. O Windsor era histórico. Ele exibiu vários clássicos, além de ter ajudado a inaugurar o pornô no Brasil, com o Coisas Eróticas", declara o jornalista Hugo Moura, de 23 anos, um dos diretores do documentário exibido no sábado, ao lado de Denise Godinho.

Nos últimos 30 anos, o Windsor exibia apenas filmes adultos. Esporadicamente, eram organizados eventos. Na última Virada Cultural, por exemplo, houve ali uma mostra de filmes rodados na "Boca do Lixo". No ano passado, a filmografia de José Mojica Marins, o Zé do Caixão, foi tema da maratona de filmes.

A história do cinema, porém, não se resume às pornochanchadas. Ele foi inaugurado em 19 de julho de 1961 e se consagrou por exibir clássicos do cinema. Em 1963, mostrou Cleópatra, com a atriz britânica Elizabeth Taylor. Em sua plateia, com capacidade para 1.200 pessoas, os paulistanos puderam assistir em 1964 à pré-estreia de Deus e Diabo na Terra do Sol, de Glauber Rocha.

As colunas de mármore do salão principal e a escadaria coberta com tapete vermelho dão ideia dos tempos de glamour vividos pelo Windsor e outros cinemas de rua do centro da capital. Um dos planos de Giscard, agora, é buscar patrocínio para transformar o Cine Dom José em um polo cinematográfico, com cursos e espaços para novos produtores. / GIO MENDES E TIAGO DANTAS

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