Tiago Queiroz/Estadão
Tiago Queiroz/Estadão

Web une donos de muros e grafiteiros para colorir SP

Artistas oferecem obras para proprietários de áreas livres; projeto abre cadastro para interessados em site e tem 430 muros no País

Juliana Deodoro, O Estado de S.Paulo

09 de abril de 2013 | 02h10

Há um ano, o diretor de arte Rommel Lima, de 32 anos, e seus sócios buscavam um artista que pudesse pintar o muro do escritório de sua agência de design em Pinheiros, na zona oeste de São Paulo. Por não ter muito contato com grafiteiros, nunca encontraram uma pessoa que tivesse um trabalho que os agradasse e que, ao mesmo tempo, estivesse disposta a colorir a fachada.

O grafiteiro Guilherme Matsumoto, conhecido como xguix, procurava um muro onde pudesse colocar seu trabalho, também sem sorte. Ontem, no entanto, os dois lados dessa história se uniram. Matsumoto passou o dia grafitando a fachada da agência, agora mais colorida e atraente aos designers - e aos clientes.

O encontro só foi possível graças ao projeto Color + City, que, segundo seus idealizadores, pretende deixar a cidade mais colorida. A lógica é bem simples: pelo site do projeto (www.colorpluscity.com.br), empresários e moradores interessados em ter os muros pintados se cadastram. Artistas e grafiteiros também fazem a inscrição e, diante da infinidade de "telas" em branco, podem escolher aquelas que mais lhes interessam.

O dono do muro seleciona o artista que mais chamou a atenção e, juntos, decidem qual desenho será feito. No caso da fachada em Pinheiros, pintada ontem, a agência e o grafiteiro chegaram a um acordo e dividiram o valor das tintas, "mas cada caso é um caso", afirma um dos idealizadores da plataforma, o designer Gabriel Pinheiro, de 23 anos.

Espalhado. Concebido por Pinheiro e por seu amigo, o artista Victor Garcia, de 26 anos, e de agências, organizações não governamentais e do Google, o site está no ar há duas semanas. Nesse período, mais de 430 muros foram cadastrados - 287 deles estão na capital e em cidades da Região Metropolitana. A ideia se espalhou e há fachadas disponíveis em todas as regiões do Brasil. Em Curitiba, por exemplo, há 16 muros. Recife tem sete e até em Boa Vista, Roraima, há quem queira ter o muro grafitado. "A ideia é que isso seja replicado em qualquer lugar do mundo. A plataforma já está disponível em inglês e pode ser usada fora do Brasil também", diz Pinheiro.

Alta procura. O grafiteiro Guilherme Matsumoto conta que, entre a fachada ser colocada no site e ser escolhida por ele na Rua São Macário, se passou apenas uma hora. A rapidez é um sinal de que a procura por muros é grande, especialmente em lugares da cidade onde há grande visibilidade.

Para Matsumoto, a plataforma resolve um dos principais problemas entre grafiteiros e donos de muros: a comunicação. "O acesso dos grafiteiros aos donos é muito pequeno. Com essa ferramenta, as coisas ficam mais fáceis, porque você fica sabendo o que a pessoa quer e ela também pode conhecer seu trabalho antes." Outra questão que é resolvida é a relação com a polícia, uma vez que os trabalhos são feitos com autorização e a pedido dos proprietários.

Pinheiro afirma, porém, que o projeto não é destinado somente a grafiteiros e artistas. "Professores que querem levar os alunos, ou o pai que quer pintar com o filho. Qualquer pessoa que quer colorir um muro pode participar", diz. Segundo ele, essa diversidade garante que a plataforma deixe um legado e que conecte as pessoas de forma simples e democrática.

Lima, da agência de design, descobriu ontem que já seguia o trabalho de Matsumoto pelo Instagram. "Particularmente, não gosto da cidade cinza. Sou a favor da Lei Cidade Limpa, mas a cidade deve ser mais a favor do grafite", diz. Enquanto Matsumoto terminava o trabalho na frente da agência, várias pessoas passavam pela rua para observar o trabalho. "É muito interessante, porque estimula interação com a cidade", afirma.

Mais conteúdo sobre:
Grafite na internet

Encontrou algum erro? Entre em contato

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.