Washington Luís segue interditada mesmo com o fim das buscas

Trânsito só vai ser liberado após a demolição do prédio da TAM, que está quase 7 metros acima da altura máxima

Alexssander Soares, do Estadão, e Paulo R. Zulino, do estadao.com.br,

27 de julho de 2007 | 08h22

Apesar do término dos trabalhos do Corpo de Bombeiros nos escombros do prédio da TAM Express, a Avenida Washington Luís, na zona sul de São Paulo, deve continuar interditada por tempo indeterminado no sentido bairro, segundo a Companhia de Engenharia de Tráfego (CET).  A interdição deve continuar já que o prédio da TAM Express, com o qual o avião que fazia o vôo 3054 da empresa se chocou, na terça-feira, 17, ainda corre o risco de desabamento. A CET deve esperar pela demolição total ou parcial do prédio para liberar o trânsito na avenida. Os bombeiros, por sua vez, devem manter uma ou duas equipes na área do acidente para atender eventuais emergências. Alto demais O prédio da TAM Express estava com 6,83 metros de altura acima do permitido pelo Departamento de Controle do Espaço Aéreo (Decea). O prédio de dois andares é considerado um obstáculo na área de aproximação (sentido Moema-Jabaquara) da pista principal do Aeroporto de Congonhas. A altura acima do gabarito de referência do Decea foi publicada no Diário Oficial da União. O prédio aparece junto com outros 111 obstáculos - identificados como prédios, casas, igrejas, hospitais, torres de alta tensão e até árvores - no anexo de uma portaria que estabelece o Plano Específico de Zona de Proteção do Aeródromo de Congonhas. O documento é assinado pelo major-brigadeiro-do-ar Ramon Borges Cardoso, diretor-geral interino do Decea. A portaria diz que não será aceita utilização que ultrapasse os gabaritos nas faixas de pista e das áreas de aproximação, decolagem e transição. O prédio da TAM Express está localizado a 75 metros de Congonhas. O Decea estabelece na portaria que os "obstáculos que estejam violando gabaritos de áreas de segurança serão tolerados até que sejam objeto de reforma ou obra na sua estrutura geral". As normas estabelecem que o órgão competente da Aeronáutica deverá impor o rebaixamento exigido. A TAM ressaltou que nunca foi notificada pelo Decea de nenhuma irregularidade no prédio. A empresa também afirmou que o imóvel tem todos os documentos regularizados na Prefeitura. Durante seu depoimento na CPI da Crise Aérea da Câmara, o chefe do Centro de Investigação e Prevenção de Acidentes Aeronáuticos (Cenipa), brigadeiro Jorge Kersul Filho, revelou ter recebido a informação de que o Serviço de Proteção ao Vôo da Aeronáutica considera que o prédio não causa qualquer problema na aproximação de vôo.  (Colaboraram Milton F. Da Rocha Filho, da Agência Estado.)

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