Wagner prega mais controle sobre PMs para evitar greves

Governador da Bahia elogia Corregedoria da polícia paulista e estuda criar reserva de verba para segurança pública

TIAGO DÉCIMO / SALVADOR, O Estado de S.Paulo

14 de fevereiro de 2012 | 03h04

O governador da Bahia, Jaques Wagner (PT), pregou ontem o fortalecimento da Corregedoria da Polícia Militar em sua primeira aparição após o fim da greve da corporação, encerrada no sábado. Ele disse que precisa "encontrar um processo organizacional que seja mais eficiente" e citou São Paulo como exemplo na administração de pessoal.

"Preciso fortalecer minha Corregedoria para separar os bons policiais dos maus", disse Wagner. "Talvez (a pouca atuação do órgão) tenha sido um dos motivos (para a greve). São Paulo tem uma Corregedoria duríssima. Eles têm um salário menor e não fizeram paralisação. Temos de melhorar a gestão."

Wagner voltou a criticar o movimento grevista. "Houve episódios fora do padrão, como colocarem fogo em ônibus escolar e sequestrarem ônibus para interditar vias. Foi uma situação de guerra. Conversei muito com o governador do Ceará (Cid Gomes), durante a greve de lá, e ele disse que a sensação era de que, a qualquer momento, eles iam entrar na sala e dizer que iam governar. A questão central que se colocou foi a da democracia", afirmou.

Para o governador, porém, "é natural" que as pessoas "só enxerguem as coisas pela sua demanda", o que justifica a adesão de policiais à greve por aumento salarial. "Sei que o salário não é grande. Se coubesse no orçamento, eu teria feito, mas ninguém vive no paraíso no mundo assalariado e não dá para dizer que R$ 2.400 não é nada."

Investimentos. O contingente de policiais precisa aumentar, admitiu Wagner. "Ainda tem a melhoria e a troca dos equipamentos. Nos últimos cinco anos, foram 78% de crescimento no investimento em segurança pública. E os salários ainda subiram 29,5% acima da inflação."

O governador cogitou a criação de uma reserva orçamentária para a segurança pública, prevista em lei. "Uma reserva, nos moldes das que existem para saúde e educação, é um caminho."

Crítica ao comandante. Destacado para comandar as tropas do Exército durante a greve da PM, o general Gonçalves Dias, da 6.ª Região Militar, teve sua atuação no cerco aos manifestantes que ocupavam a Assembleia Legislativa criticada. De tão próximo dos grevistas, Dias recebeu bolo no dia de seu aniversário e se emocionou com a homenagem.

"O retorno disso foi eles (grevistas) se acharem mais fortes, terem a impressão de controle da situação", disse. "A partir daí (aniversário), mudou-se a estratégia. Houve endurecimento que levou ao fim da ocupação."

O governador garantiu a presença de 19.727 policiais militares no carnaval de Salvador. A eles serão somados 2.614 policiais civis e 380 integrantes da Força Nacional de Segurança. A participação do Exército, que tem cerca de 4 mil homens na Bahia, ainda está indefinida.

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