Natacha Pisarenko/AP
Natacha Pisarenko/AP

Vulcão deve afetar voos mais 1 semana

Ontem, aeroportos argentinos de Ezeiza e Aeroparque seguiram fechados; no Brasil, TAM e Gol retomaram operações no fim da tarde

Ariel Palacios, O Estado de S.Paulo

15 de junho de 2011 | 00h00

CORRESPONDENTE

BUENOS AIRES

O vulcão chileno Puyehue - que entrou em erupção há 11 dias - pode continuar mais uma semana em atividade, com a consequente emissão de cinzas que coloca em colapso o tráfego aéreo no Cone Sul. A afirmação foi feita por Enrique Valdivieso, o engenheiro chileno que comanda o Serviço Nacional de Geologia e Minas (Sernageomin), organismo do governo do Chile encarregado de vigiar o comportamento dos vulcões.

Segundo Valdivieso, os vulcões têm um comportamento imprevisível. O cientista cita o caso de duas erupções anteriores do Puyehue, com durações de duas semanas (em 1961) e dois meses (em 1921). "O vulcão ficou instável. O Puyehue tem lapsos de tranquilidade e de momentos de maior agressividade. Não podemos saber se está em um período de recesso ou se vai aumentar de novo a atividade. Calculamos que o Puyehue terá pelo menos mais sete dias de atividade", disse.

No início da noite de ontem, a Gol e a TAM começaram a retomar voos para Argentina e Uruguai - de acordo com a Gol, citando o boletim de uma consultoria meteorológica, "a densidade da nuvem nas áreas a serem sobrevoadas é cem vezes menor que o limite internacionalmente aceito para que se realizem operações aéreas. Dessa maneira, a Gol encontrou condições de retomar decolagens seguras".

Na segunda-feira à noite, tudo indicava que as cinzas do Vulcão Puyehue haviam se afastado, permitindo a retomada dos voos dos aeroportos portenhos de Ezeiza e Aeroparque. Mas, duas horas depois, as expectativas acabaram, uma vez que uma mudança brusca nos ventos trouxe mais uma vez as cinzas na direção de Buenos Aires.

Ontem, pelo terceiro dia consecutivo, as esperanças de subir em um avião desapareceram novamente para milhares de passageiros quando no fim da tarde as companhias aéreas Aerolíneas Argentinas e Austral suspenderam todos os voos. A chilena LAN também seguiu os passos das duas empresas estatais argentinas. Mais de 30 voos foram cancelados no Brasil até as 18 horas por motivos de segurança, a maioria de São Paulo, Porto Alegre, Florianópolis e Rio.

Prejuízos. Fontes das companhias aéreas calculam extraoficialmente que a nuvem de cinzas já provocou prejuízos superiores a US$ 15 milhões para o setor.

Em Bariloche, a apenas 90 quilômetros do Vulcão Puyehue, as câmaras empresariais da cidade anunciaram que serão necessários dez meses de trabalho intenso para remover a totalidade das cinzas acumuladas na última semana e meia na área urbana.

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