Vulcão cancela voos. E não há previsão de volta

Nuvem de cinzas voltou a fechar aeroportos da Argentina, em plena temporada de férias. TAM e Gol suspenderam rotas

Ariel Palacios, O Estado de S.Paulo

02 Julho 2011 | 00h00

Em plena temporada de férias, as cinzas do vulcão chileno Puyehue causaram ontem a suspensão dos voos nos Aeroportos de Ezeiza e Jorge Newbery, em Buenos Aires. No Brasil, Gol e TAM cancelaram seus voos para o Cone Sul, sem previsão de quando retomarão as rotas. Autoridades aeronáuticas argentinas informaram que as cinzas vulcânicas estavam novamente pairando sobre a área metropolitana da capital do país, a Província de Buenos Aires e a Província de La Pampa, o que tornava perigoso o tráfego aéreo.

A nuvem de cinzas deslocava-se lentamente para o leste. Ontem à tarde, o setor aeronáutico argentino especulava sobre uma eventual suspensão dos voos até hoje pela manhã.

Ainda na tarde de ontem, a Gol e a TAM anunciaram o cancelamento de seus voos para o Cone Sul. Por meio de nota, a Gol informou que "os voos programados com origem e destino em Buenos Aires e Aeroparque Jorge Newbery), Assunção (trecho entre Argentina e Paraguai) e Montevidéu precisaram ser cancelados". A TAM também suspendeu seus voos e justificou a falta de previsão de retomar as rotas explicando que "as condições meteorológicas e a atividade do vulcão estão mudando constantemente".

Com isso, até as 19 horas de ontem, dos 178 voos internacionais programados no Brasil, 34 haviam sido cancelados. No Aeroporto de Cumbica, em Guarulhos, Grande São Paulo, onde havia 84 voos internacionais programados, foram cancelados 19, segundo a Infraero, estatal que administra os aeroportos do País.

Frente fria. Ao longo do mês de junho os aeroportos de Buenos Aires ficaram fechados com frequência por causa do vulcão. O Puyehue entrou em erupção no dia 4 de junho e suas cinzas foram levadas pelo vento sobre o território argentino por duas semanas.

Um relatório do Serviço Nacional de Geologia e Mineração do Chile, país onde está localizado o Puyehue, indicou que a atividade do vulcão mostra uma "tendência decrescente". Mas, apesar dessa queda, a Administração Nacional de Aviação Civil (Anac) argentina anunciou "a nova presença de cinzas vulcânicas em suspensão emitidas pelo Puyehue".

Além disso, segundo o meteorologista do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe), Marcelo Seluchi, uma frente fria que se aproxima do Brasil poderia trazer as cinzas para o País.

Por volta das 17h de ontem, o meteorologista observou que as cinzas estavam na divisa entre Buenos Aires e Montevidéu, no Rio da Prata.

Elas também ameaçavam impedir que milhares de torcedores que pretendiam assistir aos primeiros jogos da Copa América, que começa neste domingo, desembarcassem na Argentina.

Banco Central. Uma das vítimas das cinzas do Puyehue foi o presidente do Banco Central do Brasil, Alexandre Tombini, que tinha viagem programada ontem à tarde para Buenos Aires.

Tombini pretendia chegar a tempo de estar às 16 horas no Hotel Four Seasons, no portenho bairro de Retiro, onde participaria de um evento organizado pelo BC argentino. Ele integraria o painel de autoridades dos BCs do Chile, Argentina, Uruguai, Brasil e Turquia sobre "mandatos tradicionais e novos".

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