'Vou ter de ficar parado durante uns 20 dias'

Empresa pagará reparos no caminhão, de cerca de R$ 7 mil, mas motorista não terá como trabalhar. Prejuízo é de R$ 2,5 mil

Entrevista com

Fabiana Cambricoli, O Estado de S.Paulo

31 Janeiro 2014 | 02h16

Morador do Horto Florestal, na zona norte de São Paulo, o caminhoneiro W.J. foi surpreendido na noite de anteontem por um ataque à carreta da empresa de transporte de sucata para a qual presta serviço.

W.J. já dormia quando foi avisado por vizinhos de que seu caminhão pegava fogo. Ele correu para o local, a um quarteirão de sua casa, passou pelo bloqueio dos policiais e tentou salvar o que pôde do veículo, que teve a parte interna da cabine parcialmente destruída.

Com o caminhão no conserto, ele ficará sem trabalhar durante 20 dias e teme viver novos ataques.

Como foi a ação dos criminosos no ataque aos caminhões?

Meu caminhão estava estacionado na esquina da minha rua com a Avenida Luís Carlos Gentile de Laet porque eu ia sair para o trabalho às 4 horas. Parece que vieram uns quatro ou cinco rapazes e colocaram fogo. Eu não vi. Ninguém viu muito bem.

A minha sorte foi que os vizinhos sabiam que o caminhão era meu e me chamaram. Eu levantei correndo e fui tentar apagar o fogo. O Corpo de Bombeiros ainda não tinha chegado, só estava a Polícia Militar. Os policiais não queriam me deixar passar, mas eu entrei na cabine, afastei as cortinas e consegui apagar o fogo com a ajuda de um outro rapaz, que estava com um extintor. O outro caminhão, de uma construtora que prestava serviço para a Sabesp, não teve a mesma sorte. Deu perda total.

Seu prejuízo foi muito grande?

Mesmo que eu tenha conseguido apagar o fogo, a parte de dentro da cabine, o estofado, ficou tudo bem danificado. Os reparos vão custar entre R$ 6 mil e R$ 7 mil. Ainda bem que meu patrão é consciente e não vai me fazer pagar por isso. A empresa que vai arcar com as despesas. Só que, mesmo assim, eu fiquei no prejuízo, porque ganho por serviço. Com o caminhão no conserto, vou ter de ficar parado durante uns 20 dias. Vai ser pelo menos uns R$ 2,5 mil perdidos. Quase um mês de trabalho perdido.

O sr. costumava deixar o caminhão sempre estacionado no mesmo local?

Não, é muito raro o caminhão ficar parado na rua porque eu passo praticamente toda a semana viajando. Sou caminhoneiro, o caminhão é da minha empresa. Eu costumo sair em um domingo e retornar só no outro domingo. O que aconteceu foi que eu voltei do serviço na quarta-feira e não deu tempo de carregar a carreta para o outro dia, então tive de passar a noite em casa para carregar no dia seguinte. Quando deixo o caminhão estacionado ali, é, no máximo, por uma noite.

Por que o senhor acha que caminhões particulares passaram a ser alvo de ataques, ainda mais em um bairro residencial e tranquilo como o seu?

Não dá para entender. Acho que porque está havendo muitos casos de incêndios a ônibus e a imprensa está divulgando. Então, todo mundo quer fazer isso para protestar. Mas, nessa situação, estão pegando pessoas que não têm nada a ver.

Sua família ficou com medo?

A gente fica meio em pânico, ansioso para a mulher e os filhos chegarem logo em casa. Até agora, esses ataques pareciam muito distantes. Agora, que chegou perto, não dá para ficar tranquilo. Hoje (ontem), por exemplo, eu não sei se vou deixar meu filho ir para o serviço. Ele trabalha à noite, em um comércio aqui da região, e agora dá medo.

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