José Patrício/AE
José Patrício/AE

Voo rasante e rugido divertem crianças e adultos na escuridão

Gambás, ouriços e outros animais que vivem soltos no zoo de SP cruzam o caminho dos visitantes; passeio inclui visita a área restrita

Damaris Giuliana, de O Estado de S. Paulo

29 de maio de 2010 | 22h13

SÃO PAULO - A curiosidade das crianças garante metade da diversão, mas, definitivamente, é um passeio também para adultos. A noite começa com a apresentação de uma ave que alimenta a imaginação de muita gente: a coruja. Cuidado! "Era" pode fazer um silencioso voo rasante sobre a sua cabeça. Ela é uma coruja de orelha, mas só tem ouvidos - a referência é por causa do formato das penas. Enxerga três vezes mais que o ser humano e tem a audição tão apurada que pode caçar de olhos fechados.

 

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A visão e a audição altamente desenvolvidas são características de todos os animais apresentados neste passeio. Por isso, o silêncio é um bom companheiro. Não se assuste se gambás ou ouriços cruzarem correndo o caminho. Há uma porção de bichos que vivem soltos no zoo.

 

Os visitantes vibram com a chegada a uma área "perigosa". A recomendação é não parar muito tempo na frente das grades nem esticar os braços na direção dos animais. Em um corredor apertado, pelo qual é preciso andar em fila indiana, eles observam os tigres - ou são observados. Os passos estão cada vez mais delicados, corações batendo mais acelerados...

 

Frio na espinha. Atrás dos visitantes, árvores grandes, galhos com folhas e um ventinho gelado na espinha. Na frente, a jaula dos leões, que mal se mexem, só olham de lado. Uuuuuaaaaa!!! O rugido paralisa as pessoas. O som vem do Zoo Safari, ali ao lado, separado apenas por um muro, onde os bichos vivem soltos. Os leões que estão do outro lado parecem se aproximar por causa do cheiro - eles marcam território com urina e fezes - e reagem aos movimentos aparentemente sutis dos humanos.

 

Chega-se ao tigre siberiano, o maior felino do mundo. Com a voz mansa, a bióloga explica que ele é capaz de dar "longos saltos" e tem "garras muito fortes". "Mata sua presa por estrangulamento, com uma mordida certeira no pescoço ou na garganta." O bicho come até 40 quilos de carne em uma única refeição.

 

Depois de horas caminhando, as crianças ainda enchem os guias de perguntas. Caio, de 5 anos, é o mais empolgado. "Como seria (a reação da cobra piton-bola) se fosse uma jiboia?" "Como o tamanduá come os insetos que voam?" Ele aprende que a jiboia é a segunda maior cobra brasileira e não come um boi inteiro, como a maioria pensa; e que o tamanduá só engole os insetos que ficam na terra.

 

"Eu gostei do cachorro-do-mato-vinagre", comenta Caio, no último minuto do passeio, enquanto deita no colo da babá. O garotinho queria passar a noite inteira acordado, mas a adrenalina e a longa caminhada "estragaram" seus planos.

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