Vontade política para cidades sustentáveis

Moradores de cidades como Copenhague, Munique e Tóquio, onde a bicicleta é muito usada como modo de transporte, desfrutam de boa qualidade de ar e saúde, e não perdem tempo em engarrafamentos. Recentemente, capitais mundiais como Londres e Nova York, cientes que têm de oferecer alta qualidade de vida urbana para atrair os melhores talentos do mundo, estão fazendo esforços para fortalecer o papel da bicicleta na rede de transporte.

Análise: Jonas Hagen, O Estado de S.Paulo

25 de novembro de 2010 | 00h00

Em Nova York, cujas ruas foram dominadas por trânsito pesado, a prefeitura está implementando "ruas completas", com condições de mais segurança para pedestres, e belas ciclovias. Elas estão estimulando o uso da bicicleta e as ruas que recebem esse tratamento têm queda de atropelamentos entre 40% e 50 %. A prefeitura de Nova York paga aproximadamente R$ 1,34 milhão por quilômetro de rua completa.

O panorama econômico da prefeitura de Londres está precário por causa da recessão, mas nem por isso está deixando de implementar ambiciosas iniciativas para estimular o uso da bicicleta. O modelo de Londres é de parceria público-privada: o banco Barcley"s está patrocinando os "Cycle Superhighways", 12 faixas de 15 km que levam para o centro. Os primeiros dois "Cycle Superhighways", de 25 km, foram implementados neste ano, por R$ 62 milhões.

No Brasil, as ciclovias custam menos. A da Radial Leste custou em torno de R$ 750 mil por km, e uma ciclofaixa em Copacabana, R$ 57 mil por km. Vontade política é o fator mais importante para criar cidades sustentáveis. Não é fácil mudar décadas de planejamento para os carros.

É VICE-DIRETOR DO INSTITUTE FOR TRANSPORTATION AND DEVELOPMENT POLICY (ITDP) NO BRASIL

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