Nilton Fukuda/Estadão (13/6/2014)
Nilton Fukuda/Estadão (13/6/2014)

Volume morto do Alto Tietê será usado em agosto

Ideia é retirar até 25 bilhões de litros das reservas de 2 das 5 represas que formam o sistema, o que daria sobrevida de 25 dias

FABIO LEITE, O Estado de S. Paulo

22 Julho 2014 | 02h01

SÃO PAULO - Após ceder água para socorrer clientes atendidos pelo Sistema Cantareira, chegou a vez de o Alto Tietê ter o volume morto utilizado. Admitindo o esgotamento do segundo principal manancial que abastece a Grande São Paulo, a Companhia de Saneamento Básico do Estado de São Paulo (Sabesp) anunciou ontem que pretende retirar 25 bilhões de litros das reservas profundas de duas das cinco represas que formam o sistema, o que daria uma sobrevida de 25 dias ao manancial - em julho, o déficit diário é de 1 bilhão de litros.

Segundo a Sabesp, a medida só será adotada "caso seja necessário". Ontem, o Alto Tietê estava com 22,4% da capacidade máxima, de 520 bilhões de litros. Projeções apontam que esse volume pode acabar entre 90 e 120 dias, ou seja, até novembro. A concessionária informou que poderá retirar 10 bilhões de litros do volume morto da Represa Bitiriba-Mirim já a partir de agosto. Hoje, o reservatório, que tem 35 bilhões de litros, está com cerca de 14% da capacidade. Em novembro, diz a companhia, outros 15 bilhões de litros podem ser captados da reserva da Represa Jundiaí, que está com 13% dos seus 74 bilhões de litros.

Problemas. No dia 15 de junho, o Estado mostrou que a queda no nível do Sistema Alto Tietê era equivalente à do Cantareira, e o manancial que abastece cerca de 4 milhões de pessoas na região leste da Grande São Paulo e da capital podia secar ainda neste ano. Além da falta de chuva na região, o Alto Tietê manteve seu ritmo de produção de água para socorrer o Cantareira, que foi poupado. À época, o governador Geraldo Alckmin (PSDB) negou que houvesse crise. "A Sabesp faz monitoramento e, mesmo com uma seca que é a maior dos últimos 84 anos, não teremos problemas no Alto Tietê", afirmou.

Cantareira. A Sabesp também aguarda uma autorização da Agência Nacional de Águas (ANA) e do Departamento de Água e Energia Elétrica (DAEE), órgãos gestores do Cantareira, para retirar mais 100 bilhões de litros do volume morto do manancial, além dos 182,5 bilhões que começaram a ser captados em junho. No início do mês, Alckmin havia negado a possibilidade de usar mais uma parcela da reserva profunda, que tem, ao todo, 480 bilhões de litros. Até ontem, a Sabesp já havia captado 59,5 bilhões de litros do volume morto, ou 32,6% da cota liberada.

Estimativas feitas pela própria Sabesp e reveladas pelo Estado mostram que esse reservatório pode estar esgotado até 27 de outubro. Alckmin garante que o volume de água disponível nos mananciais paulistas é suficiente para garantir o abastecimento de água sem racionamento generalizado até "meados de março". O governo acredita que o próximo período chuvoso, que começa em outubro, deve "normalizar" o nível das represas. Mas, segundo análise estatística feita pelo comitê anticrise que monitora o Cantareira, a chance de o manancial se recuperar após o próximo verão é de apenas 25%.

Encontrou algum erro? Entre em contato

publicidade

publicidade

publicidade

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.