Vizinhos vão depor sobre morte de menina na zona norte de SP

Caso da morte é considerado mistério; legistas encontraram sinais de tentativa de asfixia no corpo da garota

da Redação,

01 de abril de 2008 | 14h49

Pelo menos cinco moradores do Edifício Residencial London - edifício de onde a polícia diz que a garota Isabella de Oliveira Nardoni, de 5 anos, foi jogada, na Parada Inglesa, zona norte de São Paulo, são esperados para depoimento na tarde desta terça-feira, 1, no 9º Distrito Policial, no Carandiru, onde o caso é investigado.  O caso da morte da garota é considerado um mistério na polícia de São Paulo (veja o que se sabe até agora). Embora tenha sido deixada dormindo no quarto de hóspedes, a garota foi jogada do 6º andar , pela janela do quarto dos irmãos. A Polícia Civil também já sabe que a menina morreu em decorrência da queda de mais de 20 metros de altura. A constatação foi feita por peritos do Instituto Médico-Legal (IML) que examinaram o cadáver na madrugada de domingo.Os legistas encontraram outras escoriações e ferimentos no corpo, mas dizem ser impossível afirmar, por ora, se são resultado da queda ou se a menina teria sido agredida anteriormente. A camiseta de manga curta que Isabella vestia estava rasgada nas costas e também passará por perícia. "Ela morreu após a queda, isso é fato", atestou o médico Hideaki Kawata, diretor do IML.Policiais disseram, na segunda-feira, 31, ao Estado, que haveria sinais de tentativa de asfixia no pescoço de Isabela. Os indícios, dizem eles, seriam a língua e as pontas dos dedos das mãos arroxeados. "Há várias explicações para isso, como uma parada respiratória provocada pela queda", ponderou Kawata. O laudo necroscópico está sendo elaborado pelo legista Laércio de Oliveira César, o mesmo que examinou o corpo do lutador Ryan Gracie, morto em dezembro. Primeiro casamentoIsabella era filha do primeiro casamento de Nardoni, com a bancária Ana Carolina Cunha de Oliveira, de 23. Procurada pelo Estado, ela não quis falar. O que mais intriga os investigadores é a versão apresentada pelo pai da garota, o consultor jurídico Alexandre Alves Nardoni, de 29 anos. Em seu primeiro depoimento, o rapaz contou que chegou ao prédio em que mora pouco depois das 23 horas de sábado. Estava com a atual mulher, a estudante Anna Carolina Trotta Peixoto Jatobá, de 23 anos, e os três filhos - Isabella, Pietro, de 3 anos, e Cauã, de 10 meses. Como as crianças vieram dormindo no banco traseiro do Ford Ka, decidiu levar primeiro Isabella para o apartamento. Quando voltou com o restante da família, não encontrou mais a garota na cama. Vasculhou a casa e viu que a proteção da janela do quarto dos meninos estava cortada. Ao colocar a cabeça para fora, viu o corpo da menina estendido no gramado diante da portaria.A primeira pessoa a chegar ao local da queda foi o porteiro Valdomiro da Silva Veloso, de 28. "Ouvi o barulho e saí da guarita. A menina estava deitada de bruços e o rosto dela sangrava", disse. "O pai foi o primeiro a chegar e falou que tinham tentado assaltar o apartamento dele", contou Veloso. Ele diz não ter ouvido barulho ou movimentação estranha nas imediações ou no interior do prédio. As câmeras do circuito interno - instaladas na portaria e na entrada da garagem - não gravam as imagens registradas.Antes de voltar para a garagem, Nardoni disse ter deixado as luzes dos abajures do quarto de hóspedes e dos meninos acesas. A porta da sala também foi trancada. Quando os policiais entraram no apartamento, porém, encontraram aceso apenas o abajur do quarto dos meninos. O de Isabella estava apagado. Também não encontraram sinais de arrombamento. O casal não deu falta de nenhum objeto.Na delegacia, Nardoni contou aos policiais que havia se desentendido com funcionário da construtora do edifício há poucos dias. Na segunda-feira, porém, o proprietário da construtora Terral Atlântica, André Montes Lopez, negou que algum funcionário ou proprietário da empresa tenha se desentendido com Nardoni. Lopez informou que vendeu, por meio de uma corretora de imóveis, dois apartamentos ao pai de Alexandre, o advogado Antonio Nardoni, dia 17 de setembro. As chaves das duas unidades foram entregues no mesmo dia. Lopez não soube dizer se as fechaduras foram trocadas.O apartamento número 62 ficou para o filho Alexandre e o 63 para a irmã dele. Cada um foi vendido por cerca de R$ 250 mil. "Estamos indignados. Isso é mentira. Toda a operação de compra e venda ocorreu com o avô da criança. Nunca tivemos contato pessoal nem por telefone com o Alexandre", explicou. O sócio da construtora explicou que é comum os condôminos contratarem pedreiros e pintores da empresa informalmente. "O apartamento é entregue pronto, mas sem o piso da sala. As reformas acontecem logo após a entrega das chaves", acrescentou.O instalador de antenas Misael dos Reis Santos, de 31 anos, que prestava serviços no Edifício London, depôs na segunda-feira. Ele confirmou que, há 30 dias, foi ao prédio fazer manutenção na parabólica do apartamento 52. Para fazer o serviço, porém, Santos precisava subir no apartamento 62, onde vive Nardoni. "Eu e a moradora do 52 pedimos autorização, mas ele negou. Nisso, houve uma discussão." Segundo o delegado Calixto Calil Filho, titular do 9º Distrito, essa discussão teria sido um pouco "áspera". Mas, para Santos, não foi nada que os tornasse inimigos mortais. A polícia requisitou o exame de DNA nos vestígios de sangue encontrados no lençol, na tela da janela e no corredor. (Com informações de Vitor Hugo Brandalise, de O Estado de S. Paulo)

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