Vizinhos também se tornaram reféns de seqüestro no ABC

Moradores do CDHU temem por represálias de traficantes, que teriam prejuízos com a situação

16 de outubro de 2008 | 11h32

Durante os quase três dias do seqüestro de Eloá, de 15 anos - que é feita refém desde às 13h30 da segunda-feira, 13 -, os moradores do bloco 24 do CDHU, cercado pela PM, foram orientados pela polícia a não deixar o local e também viraram "reféns" da situação. Do lado de fora, só se observavam moradores circulando pelas escadas e nas janelas. Ninguém podia entrar nem sair. Nos prédios ao lado, até as garagens estavam "interditadas". Policiais do Gate estavam posicionados estrategicamente nas escadas e dentro dos apartamentos.  Veja também:Amiga volta ao apartamento para negociar fim de seqüestroEm 2 anos, houve ao menos 3 seqüestros por relacionamentoJovem diz que vai matar ex-namorada se polícia invadir o localO mais longo cerco da história da PM  ''Ele não suportou a perda de poder na relação''  Gate queria impedir TV de falar com invasor  No Orkut, solidariedade de estranhos e até propaganda  ''Gosta tanto dela que se desequilibrou''      Um jovem que mora ao lado do apartamento de Eloá, com os pais e a irmã mais nova, contou que a família só come, dorme e assiste a programas de TV. "Ouço ela gritando e pedindo para ele parar." O momento mais tenso foi quando se ouviu o barulho de tiros ao lado.  "Estava no corredor e saí correndo. Nosso maior medo é de que a polícia invada a casa dela e tudo acabe em tragédia." O rapaz só se sente tranqüilo à noite, quando a família vai dormir e PMs ficam em seu apartamento. "Vai saber o que ele (Alves) pode fazer." Mas ficar em casa cria problemas. "Temos de pedir para as pessoas que passam do lado de fora para comprar comida." Os mantimentos eram amarrados em uma corda e puxados para cima.  O CDHU, segundo a polícia, é uma das áreas mais perigosas de Santo André. Um morador relatou ter receio de represálias de traficantes. "Eles não perdoam porque estão tendo prejuízo com essa movimentação."  (Marcela Spinosa, José Dacauaziliquá, Daniela do Canto, Josmar Jozino e Vitor Hugo Brandalise)

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