Vizinhos estranham mudança de plano

Moradores dizem que prédio que fica no caminho do monotrilho foi o último a começar a ser construído, mas será o 1º a ficar pronto

JULIANA DEODORO, O Estado de S.Paulo

24 de junho de 2012 | 03h06

Os vizinhos do Condomínio Andalus, da construtora Cyrela, questionam os reais motivos que teriam feito a empresa mudar a localização da área verde prevista para o empreendimento. Desde que a construção dos prédios foi anunciada, moradores acompanham as obras de perto e as suspeitas de alguns deles foram confirmadas depois que o Ministério Público Estadual (MPE) começou a investigar as alterações no projeto inicial.

"Eu me lembro do primeiro panfleto de divulgação do prédio e essa parte era a área de lazer. Mudaram os planos para a desapropriação", disse a arquiteta Mônica de Oliveira, de 51 anos. O monotrilho passará na frente do prédio para onde Mônica se mudou há dois anos. "Quando comprei o apartamento, ninguém me avisou que o trenzinho passaria pela minha janela."

A casa de Piero Geraci, de 58 anos, escapou por pouco do traçado do trem. Quatro vizinhos que moram na rua do aposentado, a mesma do Condomínio Andalus, serão desapropriados. Geraci diz que as obras do prédio estão aceleradas. "Este edifício foi o último a ser construído e será o primeiro a ficar pronto. A construtora está acelerando as obras, já estão na parte de acabamento. Para mim, tem muita coisa mal explicada nessa história."

Denúncia. A diretora do Movimento Defenda São Paulo, Márcia Vairoletti, dá duas possíveis explicações para o caso: "Ou é para desapropriar e ganhar dinheiro, ou o monotrilho não vai mais passar por essa área", diz. "A aprovação do prédio e a implementação do novo sistema de transporte são conflitantes."

Segundo ela, o movimento e o Conselho Comunitário de Segurança do Morumbi (Conseg) enviaram ao MPE documentos que questionavam a aprovação do edifício. "Nossa função é alertar os órgãos oficiais que podem apurar informações e podemos ver que já surtiu efeito", disse a diretora.

A presidente do Conseg Morumbi, Julia Titz de Rezende, conta ter recebido ligações de pessoas "desesperadas" que compraram apartamentos no Andalus e estavam com medo de perder o investimento. "Um senhor de Campinas queria saber se era mesmo verdade. Caso fosse, ele disse que não pagaria a segunda parcela. Quando essas pessoas mudarem, vai ficar mais complicado tirá-los de lá."

Dois corretores que anunciavam a venda de apartamentos no Condomínio Andalus foram enfáticos ao afirmar que, caso seja construído, o monotrilho valorizará o preço dos imóveis. Ambos disseram também desconhecer a informação de que o prédio corria o risco de ser desapropriado.

Para convencer uma possível compradora, um dos corretores disse: "Temos a imagem de que é uma coisa ruim, mas na verdade são planos futuristas".

Encontrou algum erro? Entre em contato

Comentários

Os comentários são exclusivos para assinantes do Estadão.

Tendências:

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.