Vizinho confessa assassinato de mãe e filha em Ibiúna

Homem de 32 anos é dependente de drogas e disse que tinha ido à casa delas para falar sobre sua internação

JOSÉ MARIA TOMAZELA, SOROCABA, O Estado de S.Paulo

01 Novembro 2011 | 03h01

Bruno Moreira Prata Pereira, de 32 anos, confessou ter assassinado a empresária paulistana Ignês Barbosa de Oliveira, de 82 anos, e sua filha, a despachante Sônia Regina Antunes de Oliveira, de 59, domingo, em um condomínio de Ibiúna, a 73 km de São Paulo. Ele era vizinho e conhecido das vítimas. As mulheres, que moravam no bairro de Pinheiros, zona oeste da capital, e passavam o fim de semana na chácara, foram mortas a facadas.

O suspeito tem 1,94m de altura, calça número 45 e deixou um rastro no local do crime, segundo o delegado da Polícia Civil José de Arruda Madureira Júnior. "Ele pisou no sangue das vítimas e caminhou pelos cômodos, deixando as pegadas."

Pereira é dependente de drogas e seus pais eram amigos e vizinhos das mulheres assassinadas. "Foram as duas primeiras famílias a se instalar no condomínio", disse o delegado.

Segundo a polícia, o suspeito afirmou que foi até a casa das vizinhas para conversar com Sônia sobre a sua internação para tratar a dependência, mas a mulher o teria ofendido e criticado sua mãe. Ele discutiu com a vítima e sacou a faca que levava na cintura, golpeando-a no pescoço. A mãe de Sônia interveio e também foi esfaqueada.

Em seguida, ele pegou um celular que estava no carregador, abriu uma bolsa que estava na casa e levou a carteira com R$ 150. Ele usou o carro das vítimas, um Fox vermelho, para deixar o condomínio.

O veículo passou pela portaria em alta velocidade e, como chovia, o condutor não chegou a ser reconhecido pelos porteiros. Segundo o delegado, os funcionários do condomínio disseram que havia somente uma pessoa no carro. Pereira dirigiu até Piedade, abandonou o Fox com a chave sobre o pneu e hospedou-se em um hotel.

Durante a noite, ele usou drogas e consumiu bebida alcoólica. Ontem de manhã, foi à rodoviária e tomou o primeiro ônibus que saía do terminal, para Iguape, litoral sul. Lá, tentou tomar outro ônibus, com destino a São Paulo, mas só havia restado R$ 10 do dinheiro roubado.

Ele discutiu com a atendente, passou a esmurrar o guichê, foi detido pela Polícia Militar e acabou confessando o crime. O delegado afirmou que o vizinho já era tratado como suspeito, pois seu pai dissera que ele saíra de casa para conversar com Sônia e não tinha retornado.

Os próprios pais do suspeito procuravam pelo filho quando entraram na casa, que tinha ficado com as portas abertas, luzes acesas e um televisor ligado. Eles encontraram os corpos e avisaram a polícia.

No carro, os policiais encontraram a faca ainda com sangue e uma lata de cerveja furada, com restos de crack. Pereira foi transferido ontem para a Cadeia Pública de São Roque. Ele responderá por duplo homicídio qualificado, seguido de roubo.

Os corpos das duas mulheres foram enterrados ontem de manhã em Ibiúna.

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