Vizinhança testemunhou 20 anos de despejo de lixo

Além de resíduos de antiga pedreira, terreno recebeu restos industriais de fundição

Rodrigo Burgarelli, O Estado de S.Paulo

15 de julho de 2010 | 00h00

O local onde a cúpula da Confederação Brasileira de Futebol (CBF) estuda construir um estádio, em Pirituba, foi utilizado como área de descarte irregular de entulho e restos industriais por cerca de 20 anos, segundo o relato de moradores e ex-subprefeitos. A prática durou desde meados da década de1960, quando a pedreira foi desativada, até 1987, quando todo o terreno de 4,9 milhões de metros quadrados pertencente à Companhia City foi protegido por cercas e seguranças particulares.

A Pedreira Universo funcionou durante várias décadas na altura do 8.000 da Avenida Raimundo Pereira de Magalhães. Após sua desativação, o antigo poço acumulou água da chuva e virou um piscinão, que acabou utilizado pela população como área recreativa por cerca de quatro anos.

No início da década de 1970, entretanto, o piscinão foi aterrado, por causa da contaminação da água. Além dos resíduos deixados pela pedreira, caminhões da antiga Sociedade Técnica de Fundições Gerais (Sofunge) - uma das mais antigas fundições de São Paulo, que se estabeleceu durante décadas na região da Lapa, na zona oeste - despejavam restos de processos industriais no local.

Irregularidades. Mas o aterramento não acabou com o descarte irregular vindo de outras fontes. "Todo mundo jogava o que queria ali. Tinha pneu velho, lixo, entulho de material de construção, metalurgia. Uma vez achamos até restos de apetrechos de cemitério, como pás e caixões", comenta Luiz Peixoto Soares, que foi administrador regional de Pirituba por dois anos na administração Jânio Quadros (1986-1989).

O motorista Osvaldir Rocha, de 53 anos, lembra que o tráfego de caminhões de despejo era constante quando era mais jovem. "Aqui tinha só mato, havia menos casas e menos vigilância e ninguém vinha checar o que os caminhões faziam. Eles despejavam entulho dia e noite", diz.

O problema só foi resolvido em 1987, quando os proprietários cercaram o terreno e a Prefeitura aumentou a fiscalização na área. No entanto, moradores contam que até hoje lotes vazios próximos são usados para descarte irregular de entulho. Na cerca do terreno, há alertas de "proibido jogar lixo" a cada 30 metros, além de placas da Prefeitura reforçando a proibição em terrenos vizinhos.

Recuperação. A indústria de fundição Tupy - que adquiriu a Sofunge em 1995 - admitiu que o local havia sido utilizado para o descarte de resíduos industriais, mas disse que providenciou a recuperação da área após a aquisição. Segundo o Estado apurou, o serviço foi executado em 1997.

Além disso, a Tupy destacou por meio de nota que o material depositado era areia de fundição, "resíduo que não contem nenhum tipo de metal pesado ou outras substâncias".

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