Viúva de vítima do vôo 3054 denuncia tentativa de extorsão

Bandidos teriam pedido parte da indenização que seria paga pela TAM; com medo, família fugiu para a França

Solange Spigliatti, estadao.com.br

19 de novembro de 2007 | 11h15

A viúva de um alto executivo, vítima do acidente com o vôo 3054 da TAM, em 17 de julho deste ano, afirmou durante entrevista a uma emissora de televisão brasileira ser vítima de tentativa de extorsão e que, por medo dos criminosos, decidiu se mudar com as filhas para a França. Durante entrevista ao programa Fantástico, da TV Globo, em Paris, a viúva contou que começou a sofrer ameaças em agosto, um mês após a morte do marido. Bandidos quebraram o vidro do carro dela, no meio do trânsito. "Mas eu fugi, consegui fugir. E começaram a fazer ligações bem pesadas. Mas até então a gente não tinha certeza se eles sabiam bem ao certo quem nós éramos", diz a viúva. Ela diz que, em outra ocasião, numa avenida da Zona Sul de São Paulo, chegou a ser perseguida por dois motoqueiros.  Segundo depoimento da viúva, ela só teve certeza de que os bandidos sabiam sua identidade quando recebeu um e-mail com ameaças às suas duas filhas. A mensagem dizia que ela ganhou na "Mega Sena da TAM" e já teria recebido metade dos R$ 16 milhões da indenização. "Nem se começou ainda a negociação para acertar uma indenização. Eles citaram números milionários que não é verdade, não é real."  Segundo informações da assessoria do Departamento de Investigações sobre Crime Organizado (Deic), onde a viúva prestou queixa e oficializou um boletim de ocorrência no mesmo dia da tentativa de extorsão, na última segunda-feira, 12, os bandidos queriam receber R$ 20 mil para não seqüestrar suas filhas. Uma operação foi montada pelos policiais para prender a quadrilha e o dinheiro deveria ser entregue em um shopping. "Eles realmente estavam querendo as meninas, que eles iam pegar as crianças. Nesse momento eu já estava desesperada", confessa a mãe. No Deic, a viúva consultou o álbum com fotos de dezenas de criminosos. Não reconheceu ninguém. Em seguida, fez um retrato falado de um dos golpistas.  Os policiais deram todas as garantias de que nada aconteceria a ela: a vítima poderia entregar o dinheiro que os bandidos seriam presos em seguida. No último momento, com medo, a viúva desistiu de tudo. De acordo com a assessoria do Deic, a viúva alegou não "teria estrutura emocional para agüentar a situação de um flagrante e acabou desistindo". Com orientação do advogado da família, ela e as filhas viajaram às pressas no dia seguinte, terça-feira, 13, para a Europa, sem se despedir de amigos e parentes. Ainda no aeroporto, policiais do Deic levaram imagens de novos suspeitos para reconhecimento, mas não houve sucesso. As investigações prosseguem, mas o Deic não dará outras informações sobre o caso, inclusive para que novas vítimas do acidente não sejam ameaçadas.

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