Vitoriosa, escola de samba dá fama à comunidade

Na tarde de 28 de abril de 1928, Saturnino Gonçalves era esperado em casa para o aniversário de 5 anos de sua filha Cecéia. O tempo passava e ele não chegava, deixando a família preocupada. Às 23h, abriu a porta de seu barraco, no Morro da Mangueira, e anunciou: "Minha filha, cheguei atrasado no seu aniversário, mas te trouxe de presente uma escola de samba, a Estação Primeira de Mangueira."

Fernando Paulino Neto, O Estado de S.Paulo

20 de junho de 2011 | 00h00

Saturnino vinha da reunião de fundação da escola de samba da Mangueira, da qual foi seu primeiro presidente. Nesta mesma reunião, Angenor de Oliveira, o Cartola, deu à agremiação as tradicionais cores verde e rosa, em homenagem ao bloco dos Arrepiados, de Laranjeiras, na zona sul do Rio, onde morava antes de se mudar para lá.

A fundação da escola foi a coroação de um movimento de união dos muitos blocos do morro. Sucesso imediato. No primeiro desfile oficial do Rio, de 1932, a Mangueira sagrou-se campeã. Hoje, são 18 títulos.

Além dos desfiles memoráveis, saíram da Mangueira alguns dos grandes compositores do samba e da música popular brasileira: Cartola, Carlos Cachaça, Nelson Cavaquinho, Geraldo Pereira, Padeirinho, Nelson Sargento, Xangô e Tantinho, por exemplo. A lista é imensa e os versos de Cartola em Fiz por você o que pude resumem a proficuidade desta árvore frondosa: "Continuam nossas lutas/Podam-se os galhos colhem-se as frutas/E outra vez se semeia/E no fim deste labor/Surge outro compositor/Com o mesmo sangue nas veias".

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