Vítimas reconhecem 3 dos suspeitos de pedofilia em Catanduva

Uma das mães não aguentou pressão e agrediu jovem que teria levado crianças para as sessões de pedofilia

Chico Siqueira, Agência Estado

26 Fevereiro 2009 | 20h38

Pelo menos três acusados de pertencer à rede de pedofilia de Catanduva, a 385 km de São Paulo, foram reconhecidos por oito das dez crianças que passaram pela sessão de reconhecimento nesta quinta-feira, na Delegacia de Investigações Gerais (DIG). Os nomes seriam divulgados à noite, em coletiva, pela delegada Rosana Vanni, responsável pelo caso, que também deveria relatar o inquérito à Justiça ainda nesta quinta.  Veja também:Vítimas de pedofilia em Catanduva terão ajuda psicológicaDois são presos suspeitos de pertencerem à rede de pedofiliaCPI da Pedofilia vai investigar casos em CatanduvaPolícia Civil de Catanduva investiga rede de pedofiliaTodas as notícias sobre pedofilia    O reconhecimento estava marcado para as 9h30, mas só começou às 14 horas e terminou por volta das 15h30. Oito suspeitos foram colocados numa sala para observação das crianças que ficavam atrás dos vidros: Um empresário, um médico, um comerciante, dois adolescentes, um motorista, um operário e William Melo, 19 anos. Melo já foi acusado formalmente de participar de sessões de abuso com menores junto com o tio, José Barra Nova de Melo, 46 anos, o Zé da Pipa, preso em 15 de janeiro e denunciado na Justiça por molestar pelo menos duas crianças, conforme exames positivos de corpo de delito. A expectativa é de que a Justiça conceda, ainda na noite desta quinta, a prisão preventiva Melo, que foi reconhecido por oito das dez crianças. "Ele estava de cabelo cortado, mas mesmo assim, o reconheci", contou uma das crianças. William, de acordo com fontes da Polícia, deverá ser indiciado por novos crimes.  Duas crianças reconheceram o médico como participante de sessões de pedofilia na casa de Zé da Pipa, mas como as duas não foram vítimas, seus depoimentos seriam descartados. Outros reconhecidos seriam dois adolescentes, de 17 e 16 anos, acusados de levar as crianças para sessões de pedofilia na casa de Zé da Pipa e na mansão com piscina onde as crianças seriam filmadas, fotografadas e molestadas. A mansão, que seria de um médico, foi reconhecida oficialmente. "As crianças reconheceram a casa, embora ainda eu não sabia se o dono foi reconhecido", disse hoje a juíza Sueli Juarez Alonso, da Vara da Infância e da Juventude de Catanduva. Sueli disse que poderia fazer maiores comentários sobre o caso à noite, quando teria acesso ao relatório da delegada Vanni. A dona de casa Erica Reis, mãe de uma das vítimas, não suportou a pressão e partiu para a agressão contra um dos adolescente acusados de levar sua filha de 10 anos para sessões de pedofilia. "Foi ele quem levou minha filha lá para ser abusada. Foi este daí", gritou Érica antes de partir para cima do menor Z.H. aos safanões. Depois de dar uns tapas no garoto, Érica foi apartada por jornalistas e policiais que estavam na frente da delegacia. Desesperada, ela entrou em estado de choque, sendo levada para dentro do prédio. Pouco antes do ataque, Érica, que tem Síndrome do Pânico, explicou a súbita mudança na sua vida, para a pior. "Estamos sofrendo muito. Nossa situação psicológica é dramática", disse. Érica perdeu o trabalho e ficou desempregada depois de faltar no emprego de cozinheira para cuidar da filha, que passou a apresentar problemas de comportamentos (deixou escola, não sai de casa, ficou calada e não vai ao banheiro sozinha) após ser abusada. "Não temos qualquer assistência, estamos sozinhos e pedimos justiça para que isso não continue ocorrendo. Só a Justiça poderá nos salvar", disse Érica aos jornalistas minutos antes de cruzar com o adolescente.  DENÚNCIAS As mães das crianças foram proibidas pela polícia de acompanhar as crianças no reconhecimento. Os advogados da OAB foram embora antes do reconhecimento. Apenas um representante do Juizado de Menores e o promotor da Infância e da Juventude, Antonio Bandeira Neto, acompanharam o reconhecimento. Neto saiu sem dar entrevista e o representante do Juizado, Antonio Bernardes de Souza, disse que tudo transcorreu 'dentro da calma e transparência'. No entanto, mães e crianças disseram que os acusados se travestiram para a sessão. "Um deles foi até de touca; outros rasparam, tingiram ou mudaram o corte de cabelo", disse uma das crianças de oito anos, uma das principais testemunhas do caso. "Levadas sozinhas para a sessão algumas crianças, comprovadamente vítimas dos pedófilos, não conseguiram fazer o reconhecimento de todos", disse uma das mães.

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