Vítimas de pedofilia reconhecerão suspeitos em Catanduva

Entre os suspeitos estão um médico, um empresário e o filho de um comerciante da cidade do interior de SP

Agência Brasil,

26 Fevereiro 2009 | 10h28

As crianças que foram vítimas de um esquema de pedofilia em Catanduva (a 385 quilômetros de São Paulo) vão fazer o reconhecimento dos suspeitos do crime nesta quinta-feira, 26. Entre os suspeitos está um médico, um empresário e o filho de um comerciante da cidade. A sessão estava marcada para começar às 10 horas em uma das salas da Delegacia de Investigações Gerais (DIG) e será acompanhada por um psicólogo da Vara de Infância e Juventude. No entanto, os suspeitos do crime ainda não apareceram no local.   Veja também: Vítimas de pedofilia em Catanduva terão ajuda psicológica Dois são presos suspeitos de pertencerem à rede de pedofilia CPI da Pedofilia vai investigar casos em Catanduva Polícia Civil de Catanduva investiga rede de pedofilia Todas as notícias sobre pedofilia      Segundo a juíza Sueli Juarez Alonso, da Vara da Infância e Juventude de Catanduva, cerca de 47 crianças podem ter sido vítimas da rede de pedofilia, cujas primeiras denúncias foram conhecidas em dezembro do ano passado. Algumas dessas crianças teriam sido aliciadas por um borracheiro, com promessa de distribuição de pipas e balas. Outras podem ter sido "arrebatadas", nas palavras da juíza, para duas casas onde teriam sofrido abusos de outros suspeitos.   O borracheiro e um sobrinho foram presos pela polícia no primeiro inquérito policial, que só ouviu dez das possíveis vítimas. O borracheiro suspeito do crime continua preso, mas o seu sobrinho foi liberado por falta de provas. Segundo a Secretaria de Segurança Pública do Estado, um novo inquérito foi aberto no último dia 17 para apurar a participação de outros suspeitos no caso. Como o processo envolve crianças, a secretaria não forneceu mais informações.   O caso também vem sendo acompanhado pelo promotor Antonio Bandeira Neto, segundo informou a assessoria de imprensa do Ministério Público Estadual à Agência Brasil.   De acordo com a juíza, as crianças têm entre 5 e 10 anos de idade e são moradoras de bairros pobres da cidade, como o Jardim Alpino. Sueli Alonso, que acompanhou outro caso famoso de pedofilia ocorrido na cidade de Porto Ferreira (SP), disse que os dois episódios têm em comum justamente a pobreza das vítimas.   "É complicado. Vamos percebendo que isso não é um problema apenas das grandes cidades", disse. Segundo ela, 23 crianças já estão sendo assistidas e outras darão início a testes e a um trabalho psicológico para evitar traumas.   A polícia, segundo Alonso, tem procurado fotos e imagens dos abusos que teriam sido praticados e postados na internet, mas até o momento não teve sucesso nas buscas. Alonso também afirmou que a polícia tem realizado um trabalho especial nos bairros para garantir a segurança dessas famílias, que reclamam ter sofrido ameaças dos suspeitos.   No último dia 17, amigos e parentes das vítimas fizeram um protesto na cidade pedindo o apoio da população e dos vereadores para que as investigações tenham agilidade. Os manifestantes também criticaram a libertação de um dos investigados.   Alonso afirmou que as investigações ainda não mostraram quando os casos de abuso tiveram início, mas que as denúncias começaram pelas próprias mães, que notaram um comportamento estranho nos filhos. "As crianças [vítimas de abuso] mudaram de comportamento. As mães perceberam e foram conversar com o professor, que também havia notado baixo rendimento escolar", acrescentou.   Integrantes da Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) da Pedofilia deverão visitar a cidade de Catanduva na próxima semana para acompanhar o andamento das investigações, mas a data ainda não foi confirmada.

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