Felipe Rau/Estadão
Felipe Rau/Estadão

Vítimas de ladrões no Lollapalooza se organizam para processar o festival

Grupo criou uma página no Facebook para reunir os frequentadores que foram alvo da ação de criminosos durante o evento no último fim de semana em São Paulo

William Cardoso, O Estado de S.Paulo

02 de abril de 2013 | 19h10

Vítimas dos ladrões que atuaram no festival Lollapalooza no último fim de semana criaram uma página no Facebook e pretendem entrar com ação judicial contra os organizadores do evento. A "Fui Roubado no Lollapalooza 2013" tinha, até as 19h desta terça-feira, 2, 105 seguidores. Durante o dia, dezenas de pessoas procuraram a Delegacia Especializada de Atendimento ao Turista (Deatur), em prédio anexo ao Mercado Municipal, na região central, na tentativa de recuperar celulares que foram furtados no evento.

"Essa página se propõe a reunir todos que foram roubados no Lolla. Queremos justiça! Queremos que a produção seja responsabilizada pela péssima segurança proporcionada aos pagantes", diz a descrição no Facebook.

Organizadora da página, a publicitária Olívia Flôres de Brás, de 29 anos, teve o celular furtado no festival. Ela contou que conseguiu identificar o ladrão e levá-lo, com a ajuda de amigos, até os seguranças do evento. Mas, segundo ela, o suspeito foi solto. "O cara voltou para o meio da pista. Fiquei possuída. Acabou o festival para mim", disse.

Além de um processo pessoal por danos morais, ela organiza uma ação judicial conjunta com outras vítimas que já se associaram à página no Facebook. "Vou entrar em contato com uma advogada para entender como vamos fazer. Tem gente que é do Mato Grosso, de Santa Catarina."

A pós-graduanda em Comunicação Social Janaina Birck, de 23 anos, entrou na página e também estuda a possibilidade de acionar os organizadores na Justiça, por meio do processo coletivo. Ela passou no início da tarde na Deatur e não encontrou o celular furtado durante o festival.

Segundo Janaina, houve falha na segurança do evento. "Havia muitos seguranças, só que eles ficavam longe demais, nas laterais dos shows, enquanto o pior acontecia no meio. Não sei para que tipo de ação eles foram treinados, mas não vi nenhum fazer nada", afirmou.

A Polícia Civil conseguiu prender 27 pessoas e recuperar 78 celulares. Segundo os policiais, os presos faziam parte de quadrilhas especializadas, com integrantes até mesmo de fora do Brasil, que frequentam shows apenas para furtar objetos de valor do público.

Resposta. Organizadora do festival, a GEO foi questionada sobre a página no Facebook e a intenção das pessoas em entrar com ação judicial para serem ressarcidas e se manifestou por meio de nota. "A GEO lamenta os furtos na área do Lollapalooza. Para coibir a ação de quadrilhas, a organizadora contou com mais de 1.000 seguranças, com uma equipe dedicada à revista na entrada do festival, uma Central de Vigilância com monitoramento de mais de 40 câmeras, e com a ação extensiva da Polícia Militar e Civil. Este último fator contribuiu para a prisão de dois grupos que furtavam celulares do público do festival. Ao menos 16 pessoas foram presas e 80 aparelhos recuperados."

A organizadora do festival informa que elaborou um plano de segurança aprovado pelo Batalhão da Polícia Militar mais próximo ao evento, e orienta as pessoas a tentarem localizar os pertences que foram furtados ou roubados por meio da Deatur, na Rua da Cantareira, 390, e por meio da central de achados e perdidos do festival (faleconosco@lollapalooza.com.br).

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