Vítimas ainda tentaram fugir pela escada

Resgate chegou ontem ao ponto em que estavam pelo menos quatro pessoas que teriam tentado descer ao 3º andar após tremor

BRUNO BOGHOSSIAN / RIO, O Estado de S.Paulo

28 de janeiro de 2012 | 03h03

As vítimas do desabamento tentaram fugir do Edifício Liberdade pela escada segundos antes de a estrutura desmoronar levando ao chão outros dois prédios, matando 15 pessoas e deixando 12 desaparecidos até a noite de ontem.

A equipe que trabalha na remoção dos corpos chegou ontem, no início da tarde, ao ponto em que estavam pelo menos quatro pessoas que teriam tentado descer do 3.º andar depois de sentir um tremor.

Durante a tarde, a Defesa Civil e o Corpo de Bombeiros passaram a concentrar as buscas no lado esquerdo do Liberdade, onde ficavam o hall de entrada, os elevadores e as escadas. "Esses últimos corpos encontrados estão próximos da escada e do corredor. Por isso, imaginamos que eles tentaram sair. Começamos a imaginar que o prédio deu sinais de desabamento e houve um momento em que as pessoas tentaram sair dele", afirmou o comandante do Corpo de Bombeiros, coronel Sérgio Simões.

O trabalho dos bombeiros também foi dificultado pela ameaça de desabamento de parte da estrutura que havia ficado de pé. Foi necessário retirar grandes pedaços de concreto para permitir a circulação das equipes de resgate.

Apesar de haver espaços livres nessa região do edifício, o comandante do Corpo de Bombeiros descartou a possibilidade de encontrar pessoas com vida no local. "Todos os corpos estavam muito machucados. Esse cenário mostra que houve um impacto muito forte da estrutura. Não retiramos nenhum corpo que não tivesse algum tipo de trauma", explicou o coronel Simões.

As equipes também desistiram de encontrar sobreviventes, pois havia focos de incêndio sob os escombros, provocados por vazamentos de gás que ocorreram após o desmoronamento. Um dos corpos estava carbonizado quando foi encontrado pelos socorristas.

Até as 23h, haviam sido retirados dos escombros 15 corpos: sete homens, seis mulheres e duas pessoas cujos sexos ainda não foram identificados. Segundo a prefeitura do Rio, parentes ainda procuram 12 pessoas. As equipes de buscas devem continuar seus trabalhos até a manhã de amanhã.

Tremor. Os indícios de que houve um tremor nos três edifícios que desabaram às 20h33 de quarta-feira foram reforçados pelo depoimento de Marcelo Antunes Moreira, zelador do Edifício Colombo. Ele estava no 7.º andar quando notou que havia algum problema no prédio vizinho e tentou fugir pelas escadas, mas só chegou ao 6.º andar antes do desmoronamento.

Em meio aos escombros, consciente, mas com a maior parte do corpo imobilizado, ele notou que um bombeiro caminhava sobre as pedras. Com a mão esquerda, a única que conseguia movimentar, tocou o coturno do bombeiro para chamar sua atenção. Marcelo foi salvo, com ferimentos superficiais no rosto e nos braços. Levado ao hospital, ele recebeu alta anteontem.

Theatro Municipal. A Polícia Federal abriu um inquérito para apurar os danos no Theatro Municipal depois do desabamento dos prédios. Ontem, quatro peritos do Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan) e dois agentes da PF fizeram uma vistoria no local. Os danos foram considerados superficiais: algumas janelas ficaram parcialmente quebradas, pequenos pedaços de reboco caíram e foram detectados problemas no maquinário do palco, por causa da poeira. Os responsáveis pelo desabamento podem ser indiciados por crime contra o patrimônio da União. / COLABORARAM FÁBIO GRELLET E PEDRO DANTAS

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