Vítima de Thor seguia pelo meio da pista

Perícia indica que atropelado empurrava bicicleta na rodovia e estava alcoolizado

CLARISSA THOMÉ / RIO, O Estado de S.Paulo

28 Abril 2012 | 03h02

Thor Batista, filho do empresário Eike Batista, não trafegava pelo acostamento na Rodovia Washington Luís (BR-040), como chegou a acusar a família do ajudante de caminhoneiro Wanderson Pereira dos Santos, que morreu ao ser atropelado pelo jovem, na noite de 17 de março. O laudo preliminar da perícia, encaminhado para a 61.ª Delegacia de Polícia (Xerém), informa que o jovem dirigia seu Mercedes-Benz McLaren na pista central ou da direita.

O documento diz ainda que Santos empurrava a bicicleta, enquanto atravessava a rodovia. O laudo informa também que o ajudante carregava uma sacola plástica com latas de cerveja. Os objetos foram encontrados no para-brisa do carro. Dias depois do acidente, Thor havia publicado no Twitter versão semelhante à que foi apontada pela perícia. "Vinha na faixa esquerda com muito cuidado, sem ao menos dialogar com o meu carona, repentinamente um ciclista atravessou do acostamento do lado direito até o meio da faixa esquerda, onde trafegam os veículos."

Segundo o relato, Santos "empurrava a bicicleta com o pé esquerdo no chão", como indica agora a perícia. Na ocasião, Thor informou ainda que sua "imediata reação foi aplicar força total nos freios do carro, segurando o volante reto". "Infelizmente, foi impossível evitar a colisão", escreveu. Thor afirma estar a 110 km/h, limite da via.

O laudo ainda não tem informações sobre a velocidade do carro. Os peritos encontraram dificuldades para chegar ao dado porque não têm parâmetros para analisar o desempenho do Mercedes McLaren e pediram informações à fabricante do veículo. O modelo tem capacidade de frenagem superior e é mais baixo do que os carros convencionais, o que dificulta a realização dos cálculos que indicariam a velocidade.

Na semana passada, o delegado Mario Arruda, que investiga o caso, pediu ao Ministério Público Estadual a prorrogação do prazo para a conclusão do inquérito que apura o atropelamento do ciclista. A falta de informações sobre a velocidade do carro foi o principal argumento para pedir o adiamento de 30 dias para concluir o inquérito.

No fim de março, perícia revelou que o ajudante de caminhoneiro tinha a concentração de 1,55 grama de álcool por litro de sangue. O máximo tolerado pelo Código de Trânsito Brasileiro (CTB) é de 0,2 grama de álcool por litro de sangue.

Acordo. O advogado da família de Wanderson Pereira dos Santos, Cleber Carvalho, informou em março que trabalha por um acordo. Thor já chegou a se reunir com a família, mas não teria discutido valores.

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