Vítima de ladrões fica em corredor de hospital

Após tomar dois tiros no rosto em tentativa de assalto, jovem enfrenta atendimento precário no São Luiz Gonzaga

WILLIAM CARDOSO, O Estado de S.Paulo

30 Agosto 2012 | 03h02

Um estudante de 17 anos baleado na boca na noite de anteontem durante tentativa de assalto na Avenida Luiz Dumont Vilares, no Tucuruvi, zona norte de São Paulo, foi levado para o Hospital São Luiz Gonzaga e, até as 17h de ontem, estava no corredor da unidade de saúde, com o projétil alojado no maxilar. Segundo a família, que denunciou o atendimento precário, ele foi atacado depois de passar o dia procurando emprego.

A tentativa de assalto aconteceu por volta das 21h. O adolescente voltava de bicicleta para casa quando foi abordado por cinco jovens. Segundo o rapaz, os assaltantes queriam celular. Como ele não tem, ofereceu a bicicleta. Ladrões recusaram a oferta e um deles atirou duas vezes. Uma das balas atingiu a bochecha do adolescente e a outra pegou o rosto de raspão.

O rapaz foi encontrado caído, mas consciente, e levado para o Hospital São Luiz Gonzaga, onde recebeu atendimento. Com os quartos lotados, ficou no corredor da unidade. "Está com um tiro no rosto e no corredor com outras pessoas. Ele precisa passar por exames para saber a gravidade do ferimento, mas aqui não tem os equipamentos necessários", disse a recepcionista Mislaine Martins de Souza, de 22 anos, irmã da vítima, por volta das 15h30.

Segundo a Secretaria Municipal de Saúde, o adolescente recebeu "toda a assistência necessária". "Após ter o quadro clínico estabilizado, foi verificado que necessitava de avaliação de um especialista bucomaxilofacial. Às 16h20, foi encaminhado para o Hospital Vila Nova Penteado (unidade de referência), onde passou por exames e avaliação dos especialistas."

Pai do adolescente, o autônomo Osni José de Souza, de 45 anos, disse que o filho concluiu o ensino médio em 2011 e pretendia fazer faculdade de computação. Sem dinheiro para o curso, passou a procurar emprego. Por familiares, é descrito como caseiro e alguém que não tem inimigos, o que, para eles, descarta hipótese de tentativa de execução por rixa. "Ele é um nerd. A gente até brinca com isso", disse a irmã. À noite, o jovem teve alta e foi para casa. A polícia investiga todas as hipóteses.

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