Governo de São Paulo/Divulgação
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Vítima de feminicídio alertou amiga sobre risco de ser morta em presídio

Jovem foi assassinada durante visita ao namorado no Centro de Detenção Provisória (CDP) de Jundiaí

José Maria Tomazela, O Estado de S.Paulo

06 de fevereiro de 2019 | 00h06

SOROCABA - A jovem Nicolly Guimarães Sapucci, de 22 anos, assassinada durante visita ao namorado no Centro de Detenção Provisória (CDP) de Jundiaí, no dia 27 de janeiro, revelou a uma amiga que tinha medo de ser morta por ele durante a visita. Em áudio juntado ao inquérito que apura o feminicídio, ela diz que precisava ir ao CDP, mas poderia ser assassinada pelo companheiro, Michael Denis Freitas, de 25 anos, preso por roubo. “Vou tentar desenrolar, se ele não me matar. Você sabe que estou indo no CDP, se acontecer qualquer coisa comigo, você já sabe que foi ele”, disse à amiga.

Conforme os áudios que estão em poder da Delegacia de Defesa da Mulher (DDM), responsável pela investigação do crime, Nicolly revela que pretendia ir ao CDP para esclarecer boatos sobre uma comemoração de aniversário de que havia participado na companhia de outros homens. Ela temia que a mãe do preso, que também o visitaria, dissesse que era “patifaria” o que ela havia feito. No áudio, a jovem afirma que “não tinha mais nada” com o preso, e que ele era "um louco". De acordo com a Secretaria da Administração Penitenciária (SAP), Nicolly estava cadastrada como visitante íntima desde maio de 2018 e realizava visitas regulares.

No dia do crime, a jovem entrou no presídio no horário regular, mas não saiu da cela onde acontecia a visita íntima no horário determinado. Por volta das 15h50, alguns detentos solicitaram socorro alegando que a visitante teria sofrido um acidente na cela. A jovem foi encontrada com hematomas e inconsciente. Levada para o Hospital São Vicente, ela acabou morrendo em consequência de um traumatismo craniano. À polícia, o preso relatou que, durante briga motivada por ciúme, derrubou a mulher da cama e a agrediu com socos e pontapés.

A polícia já ouviu os depoimentos do agressor, da mãe da vítima e dos funcionários do CDP, inclusive o diretor. A investigação indica que o casal, que se relacionava há dois anos, havia rompido duas semanas antes do crime, tanto que a jovem criou uma nova página em rede social em que se apresenta como solteira. Ela não pediu, no entanto, a retirada do nome do rol de visitas do preso. Segundo familiares, Nicolly queria seguir sua vida com o filho de 4 anos e só voltou ao presídio para explicar isso ao ex e esclarecer os boatos. Após ser autuado em flagrante pelo feminicídio, Freitas foi transferido para uma cela de segurança máxima na penitenciária de Presidente Venceslau, no oeste paulista.

 

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