Pablo Rey/AE
Pablo Rey/AE

Vítima de cheias vive 'de aluguel', pegando lixo da rua

Água baixa em municípios de Pernambuco, mas cenário é de desolação; são nove as cidades em estado de calamidade

Angela Lacerda, O Estado de S.Paulo

09 de maio de 2011 | 00h00

Cortado pelos Rios Una e Carimã, na Zona da Mata pernambucana, a 110 quilômetros do Recife, Barreiros virou o retrato do caos. As águas dos rios começaram a baixar, permitindo ver o tamanho do estrago que a cidade voltou a sofrer, depois de ter sido devastada na cheia de junho de 2010.

São nove as cidades pernambucanas em estado de calamidade pública, conforme balanço estadual divulgado ontem. Outras 26 estão em emergência e há 4.935 famílias desabrigadas e 10.193 desalojadas nos 55 municípios afetados. O governo anunciou a instalação, hoje, de quatro escritórios de gerenciamento de crise na região.

Em meio à lama e à sujeira, gente muito pobre cata o que pode nos lixos jogados nas ruas por moradores e comerciantes. Noêmia Maria da Silva e seu neto conseguiram "pescar" alguns copos de vidro no lixo, enquanto um grupo disputava produtos alimentícios descartados por um mercadinho na Rua Dr. Arsênio Costa, no centro.

As reclamações e pedidos vêm de todos os lados. Quem está em abrigo pede comida, água potável, assistência médica e social. Moradores de bairros inundados querem tratores para ajudar na limpeza, comunidades ainda isoladas reivindicam carros-pipa. Todos se mostravam impacientes com a falta d"água desde a terça-feira, quando o rio subiu.

A empregada doméstica Lúcia Helena da Silva, dois filhos, encarna a situação vivida por metade da população que está desabrigada - 18 mil - ou desalojada - 4 mil - segundo estimativa do prefeito Antonio Vicente (PSB), que decretou estado de calamidade pública. Anteontem, ela levava uma bacia cheia de pratos e panelas para lavar na água barrenta do Una. "Há quase um ano que vivo assim, carregando minhas coisas para cima e para baixo, sem um canto certo, sem saber para onde ir."

Sem água. Lúcia está em um dos 39 abrigos provisórios que até ontem não tinham água. Ela possuía uma casa no bairro do Tibiri que foi destruída pela água no ano passado. Com o auxílio moradia passou a viver "alugada" numa casa, que agora também foi inundada.

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